15/Apr/2026
Segundo a Standard Grain, a soja caiu na Bolsa de Chicago no dia 13 de abril após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçar impor tarifa de 50% sobre produtos chineses, em resposta a relatos de que a China estaria considerando enviar sistemas de defesa aérea ao Irã. A ameaça é mais um sinal de que a China dificilmente vai ampliar as compras de soja norte-americana da safra 2025/26. Cada manchete e comentário vindos da China indicam que o país provavelmente já encerrou as compras da safra velha (2025/26). O mercado da oleaginosa tem se comportado melhor que o milho nas últimas semanas, oscilando dentro de uma faixa estreita sem conseguir sustentar altas nem aprofundar quedas. Ainda assim, há risco no lado comprador: a China está embarcando o que já comprou, com as inspeções de soja somando 30 milhões de bushels na semana encerrada em 9 de abril, alta de 47% ante o mesmo período do ano passado, com a China respondendo por cerca de 42% do volume.
Novas compras da safra velha, porém, são improváveis. Para a nova safra, a meta de 25 milhões de toneladas por ano ainda está de pé, mas o tempo começa a apertar. Para atingir esse volume, a China normalmente precisaria começar a comprar na primavera. O cumprimento do compromisso depende de um avanço concreto nas negociações comerciais, ainda incertas diante do bloqueio naval americano no Estreito de Ormuz e do cessar-fogo frágil, com validade até 22 de abril. A colheita de soja no Brasil alcançou 87% da área até o dia 9 de abril, ante 82% na semana anterior, segundo a AgRural. Com o avanço rápido, a pressão de oferta brasileira no mercado exportador segue intensa, o que reforça a vantagem competitiva do país frente aos Estados Unidos e reduz o apelo da soja americana para compradores como a China.
No milho, o mercado entrou em tendência de baixa desde o fim de março, com pressão vendedora recorrente sempre que os preços tentam subir. Deve haver grande volume de milho da safra velha ainda não precificado no oeste do cinturão norte-americano, onde o basis tem sido muito fraco. Os produtores do oeste do cinturão têm segurado mais grão do que em outras regiões porque simplesmente não tiveram uma oportunidade real de aproveitar alguma melhora de basis. As chuvas recentes em partes do cinturão agrícola têm atrasado o plantio de milho em algumas regiões e alimentado especulações de migração de área para soja. O plantio de soja atingiu 6% da área até o dia 12 de abril, bem acima da média histórica de 2% para o período. O milho estava com 5% plantado, acima da média de 4%. Em algumas regiões, os produtores têm optado por plantar soja antes do milho, estratégia que ganhou respaldo em estudos agronômicos recentes.
A 2ª safra de milho de 2026 no Brasil recebeu cerca de 85% do volume normal de chuvas nas últimas duas semanas, com previsão de apenas 63% do normal nos próximos sete dias. Algumas áreas devem ficar praticamente sem chuva. Para o período entre oito e 14 dias, a previsão melhora para 90% do normal. O mercado ainda não demonstra preocupação relevante com a produção brasileira. No front dos fertilizantes, o Departamento de Justiça dos Estados Unidos (DOJ) abriu investigação sobre possíveis práticas anticompetitivas no setor e pediu que produtores forneçam informações confidenciais. As empresas investigadas são Nutrien, Mosaic, CF Industries, Koch e Yara, que controlam a maior parte da oferta de nitrogênio, fosfato e potássio nos Estados Unidos. Há dúvidas sobre o alcance real da iniciativa. O governo dos Estados Unidos atacou o Irã e os fertilizantes ficaram mais caros. O governo precisa mostrar que está fazendo algo, mesmo que não consiga nada. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.