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15/Apr/2026

Óleos vegetais: oferta global ampla limita cotações

Segundo a StoneX, o mercado global de óleos vegetais inicia o segundo trimestre sustentado pela valorização do petróleo e pelo avanço das políticas de biocombustíveis, mas com limitações para movimentos mais expressivos de alta diante de um cenário de oferta ainda confortável. No primeiro trimestre, óleo de soja e óleo de palma registraram valorização, inicialmente impulsionados por fatores regulatórios nos Estados Unidos e, posteriormente, pela influência da alta dos combustíveis no contexto geopolítico. Apesar do suporte externo, o balanço global segue marcado por ampla disponibilidade. No óleo de palma, os estoques permanecem elevados em importantes origens e destinos.

No óleo de soja, o aumento do esmagamento no Brasil e nos Estados Unidos deve ampliar a oferta ao longo de 2026, limitando a intensidade de eventuais altas. Nos Estados Unidos, o principal vetor altista decorre da política de biocombustíveis. As diretrizes do crédito fiscal 45Z e a definição das metas para 2026 e 2027 indicam expansão relevante da demanda, com volume projetado de 8,86 bilhões de RINs em 2026, alta de 61,7% em relação ao ano anterior. Esse ambiente favorece a produção de biodiesel e HVO, com crescimento estimado de 22% na oferta em relação a 2025, contribuindo para o fortalecimento das cotações do óleo de soja, que atingiram níveis acima de 68 centavos de dólar por libra-peso, os maiores desde 2023.

Ainda assim, a ausência de novos fatores estruturais após a definição regulatória limita a continuidade de movimentos mais intensos de alta, deslocando a atenção do mercado para acordos comerciais e para o cenário geopolítico. Na América Latina, a tendência é de aumento da oferta. No Brasil, a produção de óleo de soja está estimada em 12,35 milhões de toneladas em 2026, crescimento de 3,5% na comparação anual, apoiado pela safra elevada e pela demanda doméstica por biodiesel, com potencial de ampliação das exportações. A demanda interna, no entanto, cresce em ritmo mais moderado. A manutenção da mistura em B15 limita a expansão mais acelerada do consumo, com projeção de 10,4 milhões de metros cúbicos de biodiesel em 2026, alta de 7,1% na comparação anual, equivalente ao consumo de 10,4 milhões de toneladas de óleo de soja.

O descompasso entre oferta crescente e demanda mais contida ampliou o diferencial de preços entre o mercado brasileiro e o internacional. O basis em Paranaguá atingiu média de -US¢ 13,25 por libra-peso em março, o menor nível desde setembro de 2023, indicando pressão sobre os preços domésticos, com possibilidade de ajuste parcial nos próximos meses. No óleo de palma, o início do ano foi marcado por pressão baixista, influenciada pelo adiamento do B50 na Indonésia e pelos elevados estoques na Malásia, cerca de 80% superiores aos de 2025.

Posteriormente, a valorização do petróleo reintroduziu a expectativa de avanço do B50 a partir de julho de 2026, o que pode reduzir o excedente exportável e apertar o mercado no segundo semestre. Além da demanda, há riscos pelo lado da oferta. A maior probabilidade de ocorrência de El Niño no segundo semestre, estimada em 62% entre junho e agosto, pode reduzir a produtividade em regiões produtoras de palma, com menor precipitação e maior risco de incêndios, replicando impactos observados em ciclos anteriores. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.