14/Apr/2026
Segundo a Pine Agronegócios, a possibilidade de formação de um evento de El Niño no segundo semestre de 2026 eleva o risco climático para a safra brasileira de soja 2026/27, com potencial de impacto relevante sobre produtividade e distribuição regional de chuvas. A probabilidade de ocorrência do fenômeno entre maio e julho foi elevada para 61%, indicando avanço na transição das condições climáticas. No curto prazo, a expectativa ainda é de manutenção da neutralidade do padrão climático entre abril e junho, com cerca de 80% de probabilidade. A principal incerteza recai sobre a intensidade do evento a partir de agosto, com possibilidade de configuração moderada, forte ou muito forte ao longo do segundo semestre. Há cerca de 25% de probabilidade de ocorrência de um El Niño muito forte, com o índice Niño 3.4 acima de 2,0°C, entre outubro e dezembro.
Esse período coincide com fases críticas do ciclo da soja no Brasil, especialmente entre novembro de 2026 e janeiro de 2027, quando ocorrem o plantio e o florescimento em grande parte das regiões produtoras. O padrão climático associado ao fenômeno tende a redistribuir as chuvas de forma desigual. A previsão indica precipitações acima da média no Sul do Brasil, incluindo Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, enquanto regiões do centro-norte e da Amazônia podem registrar volumes abaixo da média histórica. Esse contraste eleva o risco tanto de excesso quanto de déficit hídrico, dependendo da região. Eventos recentes ilustram o potencial de impacto. Em ciclos anteriores, irregularidades nas chuvas provocaram replantios, perdas de área e redução de produtividade, com quebras relevantes na produção.
Na Região Sul, episódios associados ao fenômeno também resultaram em produtividade reduzida. O risco climático se intensifica em um ambiente de custos elevados, com pressão sobre insumos como diesel, fertilizantes e produtos químicos. Esse cenário amplia os desafios para o planejamento da safra, exigindo maior atenção à gestão de risco, estratégias de comercialização e uso de instrumentos de proteção de preços. A combinação entre incerteza climática e custos elevados reforça a necessidade de monitoramento contínuo das condições meteorológicas e do mercado, com impactos potenciais sobre a produção, a rentabilidade e a competitividade da soja brasileira. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.