14/Apr/2026
Segundo as universidades de Illinois e Purdue, o Brasil apresenta maior vulnerabilidade que os Estados Unidos diante da alta dos fertilizantes, em um cenário de conflito no Oriente Médio que afeta o comércio global de insumos. O País atravessa o pico da janela de compras para a safra de soja 2026/27, com preços relativos próximos dos maiores níveis em cinco anos, ritmo de aquisições abaixo da média histórica e elevada dependência de importações. O fechamento do Estreito de Ormuz, por onde transita cerca de um terço do comércio marítimo global de fertilizantes, mantém restrições logísticas relevantes. Apesar de sinais pontuais de melhora no ambiente de mercado até 10 de abril, as condições na região permanecem instáveis, com risco de impactos sobre oferta e preços. A dependência brasileira de fertilizantes é estrutural. O País importa cerca de 90% dos nutrientes NPK, proporção que chegou a 99% em 2023.
A ureia é majoritariamente adquirida de Rússia e China, o fosfato de Marrocos e Rússia, e o potássio de Rússia e Belarus. Já os Estados Unidos apresentam maior autossuficiência em nitrogênio e fosfato, além de importar potássio principalmente do Canadá, reduzindo a exposição ao choque no Oriente Médio. O momento de mercado agrava o cenário. As compras de fertilizantes para a soja concentram-se entre fevereiro e maio, com plantio a partir de setembro em regiões como Mato Grosso. Até 3 de abril, apenas 30% do volume projetado para a safra 2026/27 havia sido adquirido, abaixo da média histórica de 40%. Além disso, cerca de 70% das importações anuais ocorrem entre abril e setembro, período ainda sensível às restrições logísticas globais. As relações de troca indicam pressão sobre a rentabilidade. Para o fosfato (MAP), a relação atingiu 76 bushels de soja por tonelada em 3 de abril, próxima dos maiores níveis dos últimos cinco anos.
Para o potássio (KCl), a relação ficou em 34 bushels por tonelada, abaixo da média recente. No milho, a pressão é mais intensa: a relação com ureia alcançou 129 bushels por tonelada, maior nível para o período em cinco anos, enquanto a relação com MAP chegou a 154 bushels por tonelada. A capacidade de ajuste agronômico no Brasil é limitada, especialmente nos solos do Cerrado, que apresentam deficiência natural de fósforo e potássio e baixa tolerância à redução de doses. Áreas mais antigas podem oferecer alguma flexibilidade, mas regiões recentemente convertidas tendem a demandar maior reposição de nutrientes. Para o milho 2026, os fertilizantes já foram majoritariamente aplicados, enquanto para 2027 ainda há alguma margem para decisão. Nos Estados Unidos, a situação é mais favorável. Parte relevante dos insumos para a safra 2026 foi adquirida antes do início do conflito, e há maior flexibilidade técnica para ajuste de doses, com base em análises de solo.
Para 2027, o calendário de decisões ainda permite maior acompanhamento das condições de mercado. O aumento do diesel intensifica a pressão sobre o produtor brasileiro, dada a elevada dependência do transporte rodoviário para movimentação de insumos e escoamento da produção. A alta do petróleo eleva simultaneamente os custos de produção e de logística, comprimindo margens e reduzindo a competitividade da soja brasileira no mercado global. O cenário combina custos elevados, incerteza logística e limitação técnica de ajuste, ampliando o risco para o planejamento da próxima safra e reforçando a exposição do Brasil a choques externos no mercado de insumos. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.