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14/Apr/2026

Biodiesel: aumento da mistura depende de testes

O setor de biocombustíveis defende o aumento da mistura de biodiesel no diesel como forma de reduzir a dependência do Brasil de importações e dar mais estabilidade aos preços internos. Hoje, o País importa cerca de 30% do diesel que consome, segundo a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). A volatilidade do petróleo no mercado internacional, agravada por tensões geopolíticas, é apontada como um dos fatores que justificam a elevação do percentual. Atualmente em 15% (B15), a mistura poderia já ter sido elevada para 17% (B17), conforme a Lei do Combustível do Futuro, que estabelece avanço gradual para 20% até 2030.

No entanto, segundo a Broadcast apurou com agentes do setor, os testes de qualidade e desempenho, condição necessária para a mudança, ainda não foram contratados, e não há estimativa de custos ou definição de laboratórios responsáveis por parte do governo federal. O Ministério de Minas e Energia (MME) não informou se há convênios firmados nem estimativas de custo para os testes, tampouco detalhou o mapeamento de laboratórios aptos a realizá-los. Sem os contratos, os testes não saem do papel. O processo de aumento da mistura segue etapas técnicas e regulatórias. São realizados testes de laboratório e de campo para verificar segurança, qualidade e compatibilidade com a frota, incluindo desempenho, emissões e estabilidade do combustível.

Com os resultados, a ANP avalia possíveis ajustes nas especificações, enquanto o Ministério de Minas e Energia analisa impactos sobre oferta, preços e abastecimento. A decisão final cabe ao Conselho Nacional de Política Energética (CNPE). Durante o lançamento da Aliança Biodiesel, formada pela Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) e pela Associação dos Produtores de Biocombustíveis do Brasil (Aprobio), representantes do setor defenderam a realização imediata dos testes, mesmo sem garantia de aprovação do B17 em 2026. Para a Abiove, os ensaios levariam cerca de cinco meses e já indicariam a viabilidade técnica da mistura.

O entrave seria a falta de recursos públicos, que poderia ser amenizado com auxílio financeiro que as empresas que compõem a Aliança estariam disponíveis a fornecer. A Aliança também não tem os cálculos do quanto os testes custariam. O governo não deve ter os recursos necessários para fechar os contratos, mas o setor está disposto a contribuir com o aporte, diante do direcionamento adequado. A Aliança Biodiesel sustenta que a indústria nacional tem capacidade para atender ao aumento da mistura e que a medida traria benefícios econômicos, além de contribuir para a redução das emissões de gases de efeito estufa no setor de transportes. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.