13/Apr/2026
Os preços externos do farelo e da soja em grão seguem firmes, sustentados pela demanda internacional aquecida. O óleo de soja tem se desvalorizado, influenciado pela queda na cotação do petróleo. No Brasil, os valores de todo o complexo soja registram pequenas quedas, pressionados pela maior oferta e pela desvalorização do dólar frente ao Real, contexto que reduz a competitividade das exportações. A demanda global por derivados de soja permanece firme, especialmente pelo farelo. Dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) apontam consumo mundial de 285,65 milhões de toneladas na safra 2025/26, 0,32% acima do relatório anterior e 12,76 milhões de toneladas superior ao registrado no ano passado. Dentre os principais consumidores estão a China (84,15 milhões de toneladas, +4,08% frente ao ano anterior), os Estados Unidos (39,21 milhões, +5,33%) e o Brasil (21,50 milhões, +4,88%). Por ora, no Brasil, as exportações de farelo seguem intensas.
Segundo a Secretaria de Comércio Exterior (Secex), foram embarcadas 1,92 milhão de toneladas em março, um recorde para o mês. A Indonésia liderou as compras, com 468,62 mil toneladas, 102,12% acima do volume de fevereiro. Quanto aos preços, o contrato Maio/26 negociado na Bolsa de Chicago registra valorização de 0,8% nos últimos sete dias, cotado a US$ 350,09 por tonelada. No Brasil, no mesmo período, observa-se leve recuo de 0,2%, devido ao aumento da oferta para processamento. A queda no preço externo do óleo está associada à desvalorização do petróleo, após o anúncio de um cessar-fogo temporário entre os Estados Unidos e o Irã. Na Bolsa de Chicago, o contrato Maio/26 registra recuo de 1,8% nos últimos sete dias, cotado a US$ 1.492,51 por tonelada. Ressalta-se que, ainda assim, no acumulado de 2026 (até 9 de abril), o óleo registra expressiva valorização de 32,2%, impulsionado justamente pelas tensões no Oriente Médio e pela expectativa de maior demanda por biodiesel nos Estados Unidos.
No mercado brasileiro, os preços do óleo acompanham o movimento externo, com queda de 1% nos últimos sete dias, para R$ 7.005,90 por tonelada (posto em São Paulo. Para a safra 2025/26, o USDA projeta crescimentos de 2,31% na produção global de óleo (somando 71,70 milhões de toneladas) e de 3,54% no consumo (70,76 milhões de toneladas), reforçando a perspectiva de demanda firme. Quanto às exportações brasileiras de óleo de soja, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), totalizaram 176,91 mil toneladas em março, queda de 13,02% em relação ao mês anterior, reflexo da menor demanda de países como Índia e Uruguai, além da ausência da China. No entanto, no acumulado do primeiro trimestre de 2026, o volume embarcado é 30,7% superior ao registrado no mesmo período de 2025. A desvalorização do dólar no cenário internacional sustenta os preços externos da soja, à medida que esse contexto aumenta a competitividade da soja norte-americana. Na Bolsa de Chicago, o contrato Maio/26 está cotado a US$ 11,65 por bushel, alta de 0,2% nos últimos sete dias.
No mercado spot brasileiro, nos últimos sete dias, o Indicador da soja Paranaguá ESALQ/BM&F, referente ao grão depositado no corredor de exportação e negociado na modalidade spot (pronta entrega), no Porto de Paranaguá, apresenta recuo de 0,5%, cotado a R$ 127,84 por saca de 60 Kg. A média ponderada da soja no Paraná, refletida no Indicador CEPEA/ESALQ registra queda de 0,4% nos últimos sete dias, a R$ 121,81 por saca de 60 Kg. Nos últimos sete dias, há queda de 0,7% no mercado de balcão (preço pago ao produtor) e de 0,4% no mercado de lotes (negociação entre empresas). Em relatório divulgado neste mês, o USDA revisou para cima a produção global de soja em grão da safra 2025/26 (+0,05%, para 427,41 milhões de toneladas), enquanto os estoques finais caíram 0,41% (124,79 milhões de toneladas), indicando leve aperto na relação oferta/demanda. Para os Estados Unidos, a estimativa de esmagamento foi elevada em 1,36% (para 71,03 milhões de toneladas) na temporada 2025/26, enquanto as exportações foram reduzidas em 2,22% (para 41,91 milhões de toneladas).
Para o Brasil, as estimativas de exportações subiram 0,88% (115 milhões de toneladas), enquanto os estoques finais caíram 0,58% (37,69 milhões de toneladas). Na Argentina, os estoques finais foram reduzidos em 0,87% (22,72 milhões). Em março, especificamente, dados da Secex indicam que o Brasil exportou 14,51 milhões de toneladas, mais que o dobro (+105,29%) do volume de fevereiro, mas leve queda de 0,96% frente a março/25. Segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), até 4 de abril, 82,1% da área nacional havia sido colhida, abaixo dos 85,3% registrados no mesmo período de 2025, mas acima dos 78% da média dos últimos cinco anos. Na Região Sul, o retorno das chuvas após o período seco de março trouxe efeitos distintos. As precipitações favoreceram o enchimento de grãos nas áreas mais tardias, mas o excesso de umidade tem dificultado a colheita em algumas localidades e elevado a umidade dos grãos, podendo comprometer a qualidade e o ritmo das operações. Fonte: Cepea. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.