09/Apr/2026
O Grupo Aliança Agrícola do Cerrado afirmou que a aprovação do processamento de sua recuperação judicial pela 10ª Vara Cível de Uberlândia (MG) inaugura "um novo momento" para a companhia e cria as bases para uma reestruturação organizada do passivo. Em comunicado oficial distribuído após a decisão, a empresa destacou que a medida judicial "suspende por 180 dias as ações e execuções contra a companhia e impede atos de penhora sobre bens sujeitos ao processo, nos termos da Lei nº 11.101/05". A manifestação foi divulgada nesta quarta-feira, depois de a Justiça mineira deferir o processamento da recuperação judicial da Aliança Agrícola do Cerrado, da Atac Logística e da Aliagro Trading, abrindo formalmente a fase de negociação coletiva das dívidas do grupo com os credores. A decisão também marcou a consolidação, no mesmo processo, da reestruturação das três empresas e deu ao grupo prazo de 60 dias para apresentar um plano de recuperação judicial.
No comunicado, a Aliança afirma que o pedido foi apresentado "em meio a um cenário adverso para o setor", caracterizado, segundo a empresa, por "queda dos preços da soja, elevada volatilidade no mercado de trading e aumento relevante dos custos financeiros". De acordo com a companhia, esses fatores, combinados, afetaram severamente a liquidez e a capacidade de serviço da dívida da companhia. A empresa sustenta que a decisão judicial abre espaço para reorganizar as obrigações financeiras e tentar construir uma nova base operacional. Segundo o texto, "a medida judicial cria as condições para a condução organizada da reestruturação de suas obrigações e para a construção de uma estrutura sustentável de longo prazo". O comunicado também atualiza o retrato operacional apresentado pela Aliança em meio ao processo de reestruturação. Segundo a Aliança Agrícola, o grupo conta hoje com aproximadamente 200 colaboradores, mantém matriz em Uberlândia (MG) e opera unidades industriais em São Joaquim da Barra (SP) e Bataguassu (MS).
A companhia acrescenta que firmou contrato de industrialização, ou tolling, com a ADM do Brasil, e afirma que essa operação "teve início em 16 de março de 2026 e vem sendo performada em ambas as plantas conforme previsto, contribuindo para a geração de caixa e a sustentação das atividades". Esse contrato com a ADM já aparecia como uma das peças centrais da narrativa apresentada pela empresa ao Judiciário para sustentar a viabilidade da retomada. No modelo de tolling, a contratante fornece a matéria-prima e a indústria recebe pela prestação do serviço de processamento, sem precisar assumir integralmente a compra do grão. Na prática, a estrutura tende a reduzir a necessidade de capital de giro e a exposição direta à volatilidade do mercado, dois pontos que estiveram no centro da crise enfrentada pelo grupo. A Aliança também informou, em nota, que é representada no processo pelo escritório Attie, Brito e Bastos Advogados Associados e que conta com assessoria financeira para estruturar a proposta a ser levada aos credores.
Segundo a empresa, essa assessoria "entrará em contato com seus credores para compreender suas expectativas e apresentar as condições do planejamento financeiro da empresa". No mesmo texto, a empresa afirma que o objetivo é "construir um diálogo transparente que permita a elaboração de um plano equilibrado, com previsão de submissão em até 60 dias". A recuperação judicial do grupo foi deferida depois de meses de agravamento da crise. Em janeiro, a companhia deixou de pagar juros de Certificados de Recebíveis do Agronegócio, os CRAs, emitidos em 2023, e depois enfrentou execução de garantias, paralisação de operações e demissões. Em fevereiro, a tutela cautelar pedida pela empresa foi negada pela Justiça de Minas Gerais. Já em março, o juízo passou a conceder proteção emergencial para conter bloqueios e arrestos, antes de avançar, nesta semana, para o deferimento formal do processamento da recuperação. Fonte: Broadcast Agro.