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09/Apr/2026

Biocombustíveis: protagonismo com crise geopolítica

A intensificação das tensões geopolíticas no Oriente Médio tem ampliado a pressão sobre custos de produção no agronegócio brasileiro, ao mesmo tempo em que reforça o papel estratégico dos biocombustíveis na matriz energética nacional. A avaliação predominante no setor é de que o cenário atual cria condições para acelerar a ampliação da mistura de etanol e biodiesel como forma de mitigar impactos sobre combustíveis, fertilizantes e logística. A elevação dos preços internacionais do petróleo desde o início do conflito já provocou aumento relevante nos custos de insumos agrícolas, com fertilizantes registrando alta entre 15% e 20%, além de encarecimento do diesel e do frete. Em algumas regiões, também há relatos pontuais de dificuldade de abastecimento, evidenciando a sensibilidade do setor a choques externos.

Nesse contexto, ganha força a discussão sobre o aumento da mistura obrigatória de biocombustíveis. Há propostas em análise que preveem elevar o teor de etanol anidro na gasolina dos atuais 30% para patamares entre 32% e 35%, além da ampliação da mistura de biodiesel de B15 para B17. A medida é considerada tecnicamente viável e respaldada pela disponibilidade interna de matéria-prima, especialmente soja e milho. A ampliação da participação de biocombustíveis é vista como instrumento imediato para reduzir a dependência de combustíveis fósseis, suavizar a volatilidade de preços e fortalecer a segurança energética. O movimento também se alinha à estratégia de descarbonização e ao aproveitamento de vantagens estruturais do Brasil, que já possui uma das matrizes energéticas mais renováveis do mundo.

O ambiente atual é comparado, por analistas do setor, ao choque do petróleo da década de 1970, que impulsionou a criação do Proálcool e consolidou a cadeia sucroenergética no País. A avaliação é de que o cenário geopolítico pode novamente funcionar como catalisador para avanços estruturais na política energética brasileira. Além dos combustíveis, os efeitos da crise internacional tendem a se propagar por toda a cadeia produtiva. O aumento dos custos de produção no campo pode resultar em menor oferta de produtos, pressão inflacionária e impacto direto sobre o consumidor final. A dependência externa de fertilizantes segue como um dos principais pontos de vulnerabilidade, ampliando a exposição do setor às oscilações do mercado global. Por outro lado, o Brasil apresenta capacidade relevante de resposta, com produção consolidada de etanol e biodiesel e potencial de expansão sem necessidade de abertura de novas áreas.

Atualmente, o etanol já substitui cerca de 40% dos combustíveis líquidos consumidos no País, mesmo sendo produzido em uma fração reduzida do território nacional. A avaliação predominante é de que o momento exige aceleração de políticas públicas voltadas ao fortalecimento da bioenergia, com uso de instrumentos já existentes, como programas de incentivo à mobilidade sustentável e marcos regulatórios voltados ao combustível do futuro. A ampliação do uso de biocombustíveis em frotas pesadas, navegação e aviação também aparece como vetor adicional de crescimento. Diante de um cenário global marcado por incertezas e riscos logísticos, o avanço dos biocombustíveis se consolida como alternativa para reduzir a vulnerabilidade externa, garantir maior previsibilidade de custos e sustentar a competitividade do agronegócio brasileiro. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.