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08/Apr/2026

Preços da soja estáveis no mercado doméstico

No mercado interno de soja, os preços ficaram praticamente estáveis na nesta terça-feira (07/04). O dólar reduziu o ritmo de alta na reta final dos negócios nesta terça-feira (07/04), influenciado pela diminuição da percepção de risco no exterior. O movimento ocorreu após a expectativa de possível extensão do prazo concedido pelos Estados Unidos ao Irã para aceitar um acordo de cessar-fogo. A divisa norte-americana registrou máxima de R$ 5,17 e fechou a R$ 5,15, com avanço de 0,17%. Apesar do ganho, o dólar acumula perdas de 0,46% em abril e queda de 6,08% no ano.

O mercado global de moedas seguiu influenciado pelo noticiário sobre a tensão no Oriente Médio. Sinais de possíveis ataques ao Irã elevaram a volatilidade, enquanto no final da tarde o Paquistão solicitou aos Estados Unidos a extensão do prazo e exortou o Irã a reabrir o Estreito de Ormuz como gesto de boa fé, reforçando expectativa de alinhamento entre as partes. Entre as principais divisas emergentes e de países exportadores de commodities, o Real apresentou desempenho inferior.

O movimento foi associado à realização de lucros após valorização recente da moeda brasileira. O cenário interno foi influenciado por medidas fiscais do governo, com custo estimado de R$ 8 bilhões em dois meses e R$ 31 bilhões anualizados para subvenção ao diesel. Apesar do impacto fiscal, a equipe econômica projeta efeito neutro devido ao aumento da arrecadação pelo encarecimento do petróleo. A evolução dos preços da commodity tem pressionado projeções de inflação, o que pode afetar decisões do Comitê de Política Monetária (Copom) sobre a duração do ciclo de redução da taxa Selic, com implicações para os juros reais e a moeda local.

Os contratos futuros de soja na Bolsa de Chicago encerraram em queda nesta terça-feira (07/04), pressionados pelo aumento da aversão a risco frente à escalada do conflito no Oriente Médio. O vencimento maio da oleaginosa recuou 8,50 cents, ou 0,73%, e fechou a US$ 11,58 por bushel. O ambiente de mercado foi impactado pelas declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que ameaçou atacar a infraestrutura energética do Irã caso não haja avanço nas negociações de paz até o prazo estabelecido, e pelo anúncio do Irã de suspensão das negociações com os Estados Unidos.

Fundos de investimento venderam aproximadamente 6,1 mil contratos de soja no dia. A alta do dólar ante o Real também pressionou os contratos, ao tornar o grão brasileiro mais competitivo para exportação. No Brasil, a colheita da safra 2025/26 avançava até 4 de abril sobre 82,1% da área semeada. O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) divulgará nesta quinta-feira (09/04) o relatório mensal de oferta e demanda, mas analistas não esperam mudanças significativas nos estoques domésticos e mundiais nem na produção do Brasil e da Argentina.

Em São Paulo, na região de Campinas, as indicações para exportação no Porto de Santos situam-se entre R$ 128,50 e R$ 128,80 por saca de 60 Kg CIF, para entrega curta. A indústria indica R$ 119,00 por saca de 60 Kg CIF. Para a safra 2026/27, as indicações variam entre R$ 132,50 por saca de 60 Kg CIF Porto de Santos, para entrega em fevereiro e pagamento em março de 2027, e R$ 133,50 por saca de 60 Kg CIF, para entrega em março e pagamento em abril. Em Mato Grosso do Sul, na região de Dourados, os exportadores indicam R$ 112,00 por saca de 60 Kg FOB. Para safra 2026/27, as indicações são de R$ 117,00 por saca de 60 Kg FOB, para o primeiro bimestre de 2027, mas a comercialização futura é dificultada pela falta de clareza sobre os custos de produção, influenciada pelas incertezas geopolíticas.

Fonte: Cogo Inteligência em Agronegócio.