08/Apr/2026
Segundo a Universidade de Illinois, com base em dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), a área plantada com soja nos Estados Unidos deve apresentar redução gradual ao longo da próxima década, mesmo com a sustentação da demanda doméstica pelo avanço do esmagamento e pelo uso crescente de óleo vegetal na produção de biocombustíveis. Projeções indicam recuo de 34,4 milhões de hectares em 2026/27 para 33,6 milhões de hectares em 2035. A dinâmica segue lógica semelhante à observada para o milho, embora com intensidade menor, com expansão da oferta impulsionada por ganhos de produtividade superando o crescimento da demanda. A demanda total por soja deve avançar cerca de 6,2% no período, enquanto a oferta potencial, mantidas constantes área, importações e estoques, pode crescer aproximadamente 7,9%, pressionando os retornos do produtor e contribuindo para a retração da área. O principal vetor de sustentação da demanda permanece sendo o processamento doméstico.
A expansão da capacidade instalada de esmagamento acompanha o aumento do consumo de óleo de soja na produção de biocombustíveis. Como o processamento gera simultaneamente óleo e farelo, a elevação do esmagamento exige crescimento contínuo da demanda por farelo, sustentada pela expansão gradual da produção pecuária e por ajustes moderados de preços. No mercado externo, as perspectivas são mais limitadas. O crescimento das exportações americanas de soja tende a ser moderado, em um cenário de desaceleração da demanda global em relação à década anterior e de maior competição internacional, especialmente por parte do Brasil, o que restringe ganhos de participação dos Estados Unidos no comércio global. As projeções consideram premissas regulatórias que podem influenciar o comportamento da demanda. Entre os pontos de atenção estão a adoção ainda limitada da gasolina com mistura E15 e as diretrizes do programa de combustíveis renováveis dos Estados Unidos.
Alterações recentes nas metas de volumes renováveis e na política de isenções para pequenas refinarias podem impactar a demanda por óleos vegetais utilizados em diesel de biomassa, com reflexos sobre o consumo de óleo de soja, o nível de esmagamento e a área cultivada. O cenário também indica uma redução da área total destinada às principais culturas agrícolas nos Estados Unidos, com recuo de 100,2 milhões de hectares, em 2026/27 para 97,8 milhões de hectares, em 2035/36. Apesar da retração da área, a produção de soja e milho deve continuar em crescimento, sustentada por ganhos de produtividade. No entanto, a ausência de expansão proporcional da demanda tende a manter os preços próximos às médias de longo prazo, em níveis insuficientes para estimular aumento da área. A projeção de preço de longo prazo para a soja é de US$ 10,55 por bushel. No contexto global, a limitação estrutural da expansão de área nos Estados Unidos reforça a competitividade de outros grandes produtores, com destaque para o Brasil, que tende a manter posição relevante nas exportações. Ainda assim, mudanças regulatórias ou choques de oferta podem alterar esse cenário ao longo do período analisado. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.