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02/Apr/2026

Preços são pressionados pela ampla oferta global

Segundo o Bradesco, a soja inicia o segundo trimestre de 2026 sob um cenário de ampla oferta nos dois maiores produtores globais, sem fatores relevantes de sustentação para os preços. A produção brasileira é estimada em 180 milhões de toneladas, configurando novo recorde, enquanto a expansão da área plantada nos Estados Unidos pode elevar a produção americana para mais de 120 milhões de toneladas em um ambiente de clima favorável, indicando manutenção de preços em níveis deprimidos no ciclo 2026/27. No mercado doméstico, a pressão ocorre pela combinação de elevada disponibilidade interna e pela redução do fluxo de exportações, diante da retomada das compras chinesas nos Estados Unidos após avanços nas relações comerciais entre os países.

Esse movimento contribui para a retração dos prêmios no mercado brasileiro, mesmo em um contexto de normalização das importações por parte da China. O cenário internacional é parcialmente impactado pelo conflito no Oriente Médio, sobretudo via custos de insumos. A elevação dos preços de fertilizantes nitrogenados, associada à redução das exportações de NPK pela China e à restrição de vendas externas de fosfatados pela Rússia, tende a incentivar a migração de área do milho para a soja nos Estados Unidos. Esse ajuste reforça a ampliação da oferta global da oleaginosa, mesmo diante de possíveis revisões nas estimativas de produção. No Brasil, o principal risco associado ao cenário está no período de aquisição de insumos, concentrado entre abril e junho.

A combinação de margens mais estreitas e incertezas climáticas pode levar produtores a reduzir o uso de fertilizantes para preservação de caixa, o que tende a comprometer o potencial produtivo, especialmente em um ambiente de maior variabilidade climática. A demanda por biocombustíveis segue como fator estrutural de suporte, com capacidade de absorver parte do aumento na produção de óleo de soja ao longo do ciclo. No entanto, esse efeito é limitado frente ao crescimento da oferta. O balanço global permanece confortável, com a América do Sul projetando incremento adicional entre 5 milhões e 7 milhões de toneladas na próxima temporada, volume suficiente para atender à expansão do consumo sem gerar restrições relevantes de oferta ou sustentação significativa dos preços. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.