30/Mar/2026
Segundo a Comstock Investments, a divulgação das metas finais do programa de combustíveis renováveis dos Estados Unidos não sustentou os preços da soja e do óleo de soja na Bolsa de Chicago, com o mercado direcionando a atenção para fatores técnicos e para os fundamentos, especialmente os estoques. O contrato com vencimento em maio recuou US$ 14,50 por bushel, para US$ 11,59 por bushel, enquanto o óleo de soja registrou queda de 0,90%, mesmo sendo insumo relevante para a produção de biodiesel. As metas estabelecidas preveem produção de 33,54 bilhões de litros de biodiesel em 2026 e 33,88 bilhões de litros em 2027, volumes superiores às propostas anteriores de 26,95 bilhões e 28,39 bilhões de litros, respectivamente. Para atingir esses níveis, a produção de biodiesel e diesel renovável deverá crescer mais de 60% em relação a 2025, indicando aumento potencial da demanda por soja.
Apesar desse cenário positivo do ponto de vista estrutural, o mercado reagiu predominantemente a ajustes técnicos, com realização de lucros após semanas de valorização sustentada por expectativas em torno do anúncio. O momento da divulgação, próximo ao fechamento do pregão e antecedendo o fim de semana, também favoreceu reposicionamento de investidores. Fatores operacionais, como a atuação de sistemas automatizados de negociação, também influenciaram o comportamento das cotações, diante de interpretações pontuais da regra, incluindo o cronograma de restrição ao uso de matérias-primas estrangeiras a partir de 2028. No campo, o monitoramento climático indica que cerca de 77% do território dos Estados Unidos enfrenta algum nível de estiagem ou seca, com mais de 40% das áreas de milho e soja sob déficit hídrico. Apesar da abrangência, o cenário não aponta, no momento, para repetição de eventos extremos como os observados em 2012, embora haja expectativa de maior variabilidade climática com a transição de La Niña para neutralidade e posterior El Niño, especialmente no oeste do cinturão produtor.
As atenções do mercado se voltam para os próximos relatórios do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), que divulgará dados de intenção de plantio e estoques trimestrais. Entre esses, os estoques tendem a ter maior potencial de impacto sobre os preços, especialmente em caso de surpresas nos números, com destaque também para o milho. O levantamento de área plantada deve refletir condições anteriores à recente escalada das tensões no Oriente Médio e à elevação dos custos de fertilizantes, o que limita sua capacidade de antecipar o comportamento efetivo dos produtores. Com a definição das metas de biocombustíveis, o mercado tende a migrar gradualmente para uma leitura mais fundamentada, embora o cenário geopolítico siga como principal vetor de volatilidade no curto prazo. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.