ANÁLISES

AGRO


SOJA


MILHO


ARROZ


ALGODÃO


TRIGO


FEIJÃO


CANA


CAFÉ


CARNES


FLV


INSUMOS

27/Mar/2026

Mercado brasileiro de soja deve seguir pressionado

Segundo o Rabobank, o mercado brasileiro de soja deve seguir pressionado ao longo dos próximos meses, mesmo diante de sustentação parcial em Chicago, à medida que a combinação entre safra recorde, custos logísticos elevados e fundamentos globais mais frouxos limita a formação de preços no mercado físico. No cenário doméstico, a expectativa de produção de 181 milhões de toneladas em 2025/26, somada ao aumento do preço do diesel e ao impacto sobre o frete, tende a reduzir o valor ofertado ao produtor nas principais regiões. Ao mesmo tempo, o ambiente internacional segue sujeito a volatilidade, com influência direta da relação entre Estados Unidos e China e do quadro geopolítico envolvendo o Oriente Médio. No front externo, os preços na Bolsa de Chicago foram sustentados nos últimos meses por fatores pontuais, como a sinalização de exportações norte-americanas de soja para a China e a alta do petróleo, que fortaleceu o mercado de óleo de soja.

Apesar disso, esse suporte pode não se sustentar. Caso os embarques dos Estados Unidos fiquem abaixo do esperado ou haja redução das tensões geopolíticas, parte dos ganhos recentes pode ser revertida. Os fundamentos globais também reforçam um viés mais baixista. Segundo o banco, este será o quarto ano consecutivo de aumento dos estoques mundiais de soja, enquanto a expectativa de expansão da área plantada nos Estados Unidos adiciona pressão adicional sobre as cotações internacionais. No Brasil, o descolamento entre o mercado externo e o interno já é evidente. Mesmo com a valorização recente na Bolsa de Chicago, os preços em reais ao produtor não acompanharam o movimento, refletindo a maior oferta disponível e o custo mais elevado de escoamento. O Rabobank observa que, ao contrário de ciclos anteriores, prêmios de exportação e câmbio deixaram de compensar a formação de preços no mercado físico.

Nos últimos meses, o quadro foi marcado por comportamentos distintos entre os mercados. Desde dezembro, os contratos em Chicago acumularam alta de cerca de 10%, enquanto as cotações em reais recuaram aproximadamente 12%, evidenciando a perda de transmissão dos ganhos externos para o produtor brasileiro. Ainda assim, o ambiente segue sujeito a oscilações. Episódios de tensão internacional, quebras de safra ou mudanças nos fluxos comerciais podem alterar temporariamente a dinâmica de preços, ampliando a volatilidade ao longo do período. Nesse contexto, o mercado passa por uma reorganização dos fluxos globais da oleaginosa, com maior peso da geopolítica e menor relevância relativa da competitividade entre Brasil e Estados Unidos. Para o produtor brasileiro, o cenário segue desafiador, com margens pressionadas pela combinação entre oferta elevada e custos mais altos de produção e logística. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.