26/Mar/2026
Segundo a StoneX, o mercado brasileiro de soja apresenta descompasso no início de 2026, com valorização de aproximadamente 10% nos contratos futuros na Bolsa de Chicago desde dezembro, enquanto os preços em reais ao produtor recuaram cerca de 12% no mesmo período. O movimento reflete a combinação de safra recorde, prêmios mais fracos e elevação dos custos de frete, que limitam o repasse da alta externa ao mercado doméstico. A valorização na Bolsa de Chicago foi impulsionada por compras chinesas de soja dos Estados Unidos, com volumes anunciados totalizando 20 milhões de toneladas para a safra 2025/2026, além do suporte vindo da alta do petróleo em meio às tensões geopolíticas, que elevou as cotações do óleo de soja e contribuiu para a valorização da oleaginosa.
No Brasil, o cenário seguiu direção oposta, com enfraquecimento do câmbio e dos prêmios, fatores que haviam sustentado os preços internos no ano anterior. A entrada de mais uma safra recorde ampliou a oferta doméstica, marcando o quarto ano consecutivo de produção histórica da oleaginosa no País. No contexto global, os fundamentos indicam pressão sobre os preços, com estoques mundiais em trajetória de crescimento pelo quarto ano consecutivo, em um ambiente de produção avançando mais rapidamente que a demanda. A expectativa para o relatório do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), previsto para 31 de março, é de expansão da área plantada de soja em detrimento do milho, o que pode intensificar a pressão sobre as cotações.
A elevação do petróleo exerce efeitos distintos sobre o complexo soja. De um lado, aumenta os custos de frete e pode desacelerar os embarques brasileiros no pico da colheita, elevando o risco de gargalos logísticos. De outro, fortalece o óleo de soja e melhora as margens de esmagamento, favorecendo a indústria processadora, menos exposta aos custos logísticos em relação às exportadoras. A recuperação dos prêmios brasileiros dependeria de eventual frustração nas exportações norte-americanas para a China, caso os embarques fiquem abaixo das 20 milhões de toneladas projetadas, ou de deterioração adicional nas relações comerciais entre os países.
Ainda assim, o impacto positivo sobre os preços ao produtor tende a ser limitado pelo aumento do frete interno, que reduz o valor final recebido e exige ajuste nos diferenciais de base. No segmento de biodiesel, há possibilidade de antecipação do aumento da mistura obrigatória ao diesel fóssil de 15% para 16%, inicialmente previsto para março de 2026, mas ainda não implementado. O cenário de petróleo elevado, maior dependência de importações de diesel e margens mais favoráveis no esmagamento pode acelerar essa mudança ao longo do ano. A comercialização da safra brasileira de soja atinge cerca de 47% até o momento, abaixo do registrado no ano anterior e da média histórica.
Para o milho 2ª safra, aproximadamente 40% da produção já foi negociada, mesmo com o plantio ainda em andamento, indicando melhor aproveitamento de janelas de preços pelo produtor. O ambiente de mercado indica mudança de foco para fatores geopolíticos, com menor relevância da competitividade entre a soja brasileira e norte-americana. Diante de custos elevados e preços internos pressionados, produtores com menor volume comercializado permanecem mais expostos à compressão de margens nos próximos meses. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.