24/Mar/2026
Segundo a StoneX, a soja terá participação limitada ou nula em um eventual acordo comercial entre Estados Unidos e China. O governo chinês não dispõe de espaço em suas reservas para ampliar compras de origem americana, enquanto o grão brasileiro permanece como a opção mais competitiva entregue aos portos do país. No Oriente Médio, sinais de negociações contribuíram para reduzir a volatilidade dos mercados pela manhã. O presidente Donald Trump afirmou que houve dois dias de conversas "muito boas e produtivas" com o Irã e anunciou suspensão temporária de ataques a instalações de energia por cinco dias, condicionada ao avanço das negociações. Autoridades iranianas contestaram a versão, negando contatos diretos e alertando sobre riscos de ataques futuros. Mesmo com eventual acordo, os efeitos do conflito no Oriente Médio devem se estender.
Parte da infraestrutura energética danificada pode levar de dois a três anos para ser totalmente reconstruída, com a produção nos poços retomando em semanas. O encontro entre Trump e o presidente Xi Jinping foi adiado de quatro a seis semanas, e a soja norte-americana deve ter papel marginal em futuras compras. Eventuais aquisições precisariam ser conduzidas pela estatal chinesa e revendidas com desconto para esmagadoras locais, como ocorre com as 12 milhões de toneladas já compradas nesta temporada. Para o próximo ano comercial, a projeção é de cerca de 12 milhões de toneladas, com possibilidade de aumento apenas por conveniência política. Além da soja, milho, carne suína, sorgo e possivelmente carne bovina devem compor o pacote de produtos com maior probabilidade de entrar no acordo.
Na China, o governo recorre a estoques para administrar preços internos, incluindo cerca de 40 milhões de toneladas de trigo e 50 milhões de toneladas de arroz antigos, que precisam ser rotacionados. Rumores indicam que o país pode iniciar leilões de estoques velhos de arroz em breve. No radar do mercado estão também as definições sobre o programa de biocombustíveis dos Estados Unidos. A Agência de Proteção Ambiental (EPA) deve divulgar até sexta-feira (27/03) as exigências finais de mistura para 2026 e 2027, com risco de cortes nos volumes obrigatórios para 2026, dado o avanço do ano e preocupações de Trump com inflação de energia. Em 31 de março, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) divulgará relatório trimestral de estoques e intenções de plantio. Os dados, coletados antes do adiamento do acordo com a China, das regras de biocombustíveis e do início do conflito no Oriente Médio, servirão como referência até a pesquisa de junho. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agro