24/Mar/2026
Segundo a Bolsa de Comércio de Rosário, o Brasil produz atualmente 155% mais grãos que a Argentina, crescimento significativo em relação aos 53% registrados nos anos 1990, refletindo políticas agrícolas divergentes, avanços em produtividade e maior acesso a crédito. A diferença inclui soja, milho e trigo e não parou de se expandir nas últimas três décadas. Entre os anos 2000, a vantagem brasileira havia se reduzido para 45% devido à adoção de pacotes tecnológicos e plantio direto em ambos os países, mas o retorno das taxas sobre exportação na Argentina e a manutenção de apoio ao produtor no Brasil sustentaram a expansão brasileira nas décadas seguintes.
Na década de 2010, o Brasil produzia 82% mais que a Argentina, alcançando 155% nas primeiras cinco safras dos anos 2020. A projeção para 2025/26 aponta leve recuo da diferença para 147%, apoiada pela boa colheita de trigo, milho e soja na Argentina. No setor de carne bovina, a vantagem brasileira é ainda maior, passando de 119% nos anos 1990 para 235% na média dos anos 2020, com projeção de 284% em 2025/26, próxima de quatro vezes o volume argentino. Em exportações, a transformação é mais acentuada. Nos anos 1990, a Argentina embarcava 24% mais carne bovina que o Brasil; atualmente, o Brasil exporta mais de cinco vezes o volume argentino.
Nos últimos 30 anos, as vendas externas brasileiras cresceram mais de 13 vezes, enquanto as argentinas quase dobraram. A diferença se explica em grande parte pelo crédito interno, que no início dos anos 2000 era próximo, 31% do PIB no Brasil e 24% na Argentina, mas em 2024 alcançou 76% no Brasil e 15% na Argentina. A redução das retenciones e o fim de distorções cambiais na Argentina são passos positivos, com safra recorde de grãos e crédito bancário ao setor pecuário em patamar histórico. O aumento do apoio ao produtor pode permitir à Argentina expandir produção e exportações nos próximos anos. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.