20/Mar/2026
Segundo a AgResource, a participação da China no mercado brasileiro de soja recuou de forma acentuada ao longo desta semana, em meio à forte elevação dos fretes marítimos e à restrição no abastecimento de combustível para navios, fatores associados ao conflito no Oriente Médio. O cenário tem limitado a realização de novos negócios e alterado a dinâmica do comércio internacional da oleaginosa. Os custos de transporte marítimo acumulam alta entre 30% e 40% em relação ao mesmo período do ano anterior, enquanto a disponibilidade de combustível para embarcações se tornou mais restrita, inclusive em pontos estratégicos da rota para a Ásia, como a região de Singapura. Esse ambiente tem dificultado a execução de cargas, com relatos pontuais de negociações condicionadas à viabilidade logística.
A redução da presença chinesa levanta preocupações quanto ao ritmo do comércio global de grãos. Embora a valorização da energia possa oferecer suporte pontual às cotações, os entraves logísticos tendem a limitar o escoamento da produção, com potencial de acúmulo de estoques e enfraquecimento da demanda efetiva no médio prazo. No cenário internacional, o mercado também monitora a possibilidade de adiamento do anúncio das metas de mistura de biocombustíveis nos Estados Unidos, o que adiciona incerteza à demanda por soja. A indefinição ocorre em um contexto de preços elevados de energia, que influencia a tomada de decisão sobre políticas relacionadas ao setor. A dinâmica recente do mercado indica maior influência do petróleo sobre as commodities agrícolas no curto prazo, sem a presença de fundamentos de oferta restrita que sustentem movimentos mais consistentes de alta.
Diferentemente de ciclos anteriores, não há, neste momento, escassez relevante nas principais culturas. A ausência de novas compras chinesas também evidencia a existência de prêmio nas cotações da soja atrelado à expectativa de demanda do país asiático. No atual contexto, a realização de importações por parte da China permanece condicionada a eventuais ajustes tarifários, cenário considerado pouco provável no curto prazo. Diante desse ambiente, a orientação predominante é de comercialização gradual em momentos de valorização, considerando os riscos associados à logística, à demanda internacional e ao comportamento dos preços de energia. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.