19/Mar/2026
A incerteza em torno de uma possível paralisação de caminhoneiros já impacta o mercado de soja no Brasil, com redução da atuação compradora, piora na formação dos fretes e aumento da cautela nas negociações para embarque imediato. O ambiente atual é marcado pela ausência de referências claras de compra no mercado disponível, refletindo a dificuldade dos agentes em precificar custos logísticos diante da volatilidade. A elevação do frete, associada às dúvidas sobre o abastecimento e o preço do diesel, compromete a previsibilidade necessária para fechamento de novos negócios. O cenário ocorre em um momento de forte ritmo de exportações.
A programação de embarques de março supera 17 milhões de toneladas, acima da capacidade mensal estimada em cerca de 16 milhões de toneladas. Em condições normais, parte desse volume seria transferida para o mês seguinte, mas a atual instabilidade logística intensifica a cautela dos compradores. O custo do transporte é o principal vetor de pressão, impulsionado pela valorização do diesel, com relatos de preços entre R$ 7 e R$ 9 por litro em diversas regiões, além de registros pontuais de escassez. Esse quadro dificulta o ajuste dos fretes e leva transportadores a restringirem a oferta, enquanto compradores postergam decisões e vendedores reavaliam prêmios e bases.
A incerteza também afeta a fluidez da originação em um período de chegada da safra, elevando o risco operacional em um momento de alta demanda externa. Adicionalmente, mudanças recentes em procedimentos de inspeção fitossanitária ampliam a complexidade das operações, contribuindo para o aumento do custo de coordenação das exportações. Apesar das restrições no curto prazo, os fundamentos do mercado permanecem inalterados, com oferta elevada e demanda consistente pela soja brasileira. O atual movimento é interpretado como pontual, associado a uma janela de instabilidade logística que afeta temporariamente o ritmo de negócios. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.