18/Mar/2026
Segundo o Itaú BBA, a manutenção do petróleo em níveis elevados segue oferecendo suporte ao óleo de soja no curto prazo, preservando margens de esmagamento historicamente favoráveis no Brasil e nos Estados Unidos e influenciando a formação de preços de todo o complexo soja. A forte correlação entre petróleo e óleos vegetais mantém o complexo sustentado, em um ambiente em que a demanda por biocombustíveis continua como principal vetor de precificação. O oil share, indicador que mede a participação do óleo no valor total obtido com o processamento do grão, permanece acima da média histórica, incentivando o esmagamento e sustentando a demanda por soja. Ajustes nas margens de processamento favorecem a transmissão de preços entre os derivados, de modo que a valorização do petróleo, ao impulsionar o óleo, também influencia a precificação do farelo.
A manutenção dessas margens depende do equilíbrio entre a demanda por derivados e o comportamento do grão ao longo do segundo semestre. No Brasil, a política de biocombustíveis adiciona um fator relevante no curto prazo. O porcentual obrigatório de mistura permanece em 15%, após o adiamento da elevação para 16% prevista anteriormente, enquanto há expectativa de avanço para 17% diante da alta do diesel. A definição deve ocorrer em reunião do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), com potencial de reforço adicional ao suporte do óleo em caso de aumento da mistura. Para o farelo de soja, o cenário segue sustentado pela demanda doméstica aquecida e pelo bom ritmo das exportações, fatores que reduziram a disponibilidade interna e reverteram a pressão de oferta observada no início de fevereiro, quando a perspectiva de colheita sul-americana impactava negativamente as cotações.
O farelo apresenta menor protagonismo na condução do complexo, reagindo de forma mais indireta à dinâmica do petróleo e do óleo. No mercado internacional, o óleo de soja liderou os ganhos em fevereiro na Bolsa de Chicago, com alta de 11,5%, para US$ 57,5 por libra-peso, maior nível desde 2023, impulsionado pela valorização do petróleo em meio a tensões geopolíticas envolvendo o Irã e pela demanda por biocombustíveis. O farelo avançou 4% na Bolsa de Chicago, para US$ 306,00 por tonelada, com a parcial de março em US$ 310,00 por tonelada. No mercado doméstico, o farelo registrou alta de 1% em Campinas (SP), para R$ 1.840,00 por tonelada, sustentado pela demanda aquecida e pelo ritmo de embarques. O óleo recuou 2% em Mato Grosso, para R$ 5.898,00 por tonelada, pressionado pelo adiamento da elevação da mistura obrigatória. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.