17/Mar/2026
No mercado interno de soja, os preços apresentaram forte queda entre R$ 3,00 e R$ 5,00 por saca de 60 Kg nesta segunda-feira (16/03). O dólar encerrou esta segunda-feira (16/03) a R$ 5,22, com recuo de 1,63%. O movimento reflete o alinhamento com o comportamento da moeda nos mercados internacionais e a redução da percepção de risco global, impulsionada pela queda nos preços do petróleo e expectativas de maior fluxo de embarcações pelo Estreito de Ormuz. O Brent para maio recuou 2,84%, se mantendo acima de US$ 100,00 por barril, com valorização acumulada de quase 40% em março. Declarações de autoridades internacionais sobre a possibilidade de diálogo com o Irã e restabelecimento do tráfego pelo Estreito também contribuíram para a recuperação das divisas emergentes, com o Real figurando entre as três moedas que mais avançaram frente ao dólar.
No cenário doméstico, a expectativa é de que o Comitê de Política Monetária (Copom) inicie o ciclo de afrouxamento da Selic de forma cautelosa. Se o aumento recente do petróleo se consolidar como um novo choque de oferta, o dólar pode se fortalecer em relação a moedas globais, especialmente euro e libra. Para o Real, o impacto é mais ambíguo: a alta do petróleo melhora os termos de troca e aumenta receitas do setor petrolífero, beneficiando a dinâmica fiscal de curto prazo, mas a moeda continua sensível às condições globais de risco, podendo sofrer desvalorização em momentos de aversão a risco, independentemente de fundamentos domésticos
Os contratos futuros de soja negociados na Bolsa de Chicago registraram forte queda nesta segunda-feira (16/03) e atingiram o limite diário de baixa estabelecido pela bolsa, refletindo movimento de liquidação de posições compradas por parte de fundos e operadores. O ajuste ocorreu em meio à recomposição de posições após período de valorização e ao recuo das cotações do petróleo, que influenciou negativamente o complexo de oleaginosas. O contrato com vencimento em maio recuou US$ 0,70 por bushel, ou 5,71%, e fechou a US$ 11,55 por bushel. O quadro de ampla oferta global também voltou a influenciar as negociações.
A expectativa é de ampliação das reservas globais, diante da entrada no mercado da safra recorde brasileira. Fatores geopolíticos também contribuíram para a pressão sobre os contratos. A possibilidade de adiamento de um encontro entre os líderes dos Estados Unidos e da China reduziu as expectativas de novas compras chinesas de soja norte-americana no curto prazo. O cenário ocorre em meio a tensões envolvendo o Estreito de Ormuz. No mercado doméstico norte-americano, os dados de processamento indicaram demanda firme. No Brasil, o avanço da colheita também contribui para o quadro de oferta elevada.
Em Mato Grosso, na região de Sorriso, os compradores indicam entre R$ 108,00 e R$ 109,00 por saca de 60 Kg FOB. No mercado futuro, os produtores estão cautelosos diante da possibilidade de alta nos preços de fertilizantes em função do conflito no Oriente Médio. Para safra 2026/2027, os compradores indicam R$ 108,00 por saca de 60 Kg FOB, para embarque em fevereiro e pagamento em março de 2027. No Paraná, na região de Guarapuava, a indicação no balcão oscila entre R$ 118,00 e R$ 119,00 por saca de 60 Kg CIF. Para exportação pelo Porto de Paranaguá, as indicações estão em torno de R$ 130,00 por saca de 60 Kg CIF, para entrega em março e pagamento em abril e R$ 131,00 por saca de 60 Kg CIF, para entrega em abril e pagamento em maio. Para a safra 2026/2027, as tradings indicam cerca de R$ 124,50 por saca de 60 Kg CIF, para entrega em março do próximo ano.
Fonte: Cogo Inteligência em Agronegócio.