17/Mar/2026
Segunda a AgResource, a ausência de compromisso da China para adquirir 8 milhões de toneladas adicionais de soja dos Estados Unidos enfraqueceu a confiança do mercado e ampliou o risco de correção nas cotações na Bolsa de Chicago. Avaliação de mercado indica que, sem essa demanda extraordinária, o preço considerado compatível com os fundamentos ficaria entre US$ 10 e US$ 10,50 por bushel. Parte desse prêmio havia sido incorporada às cotações após declarações do governo norte-americano sobre possíveis compras adicionais por parte da China. Ainda assim, o mercado considerava improvável a concretização integral do volume mencionado, estimando que cerca de 4 milhões de toneladas tenham sido parcialmente precificadas. O movimento de retirada desse prêmio já se refletiu nas cotações. O contrato maio da soja na Bolsa de Chicago recuou US$ 0,70 por bushel, ou 5,71%, encerrando a US$ 11,55 por bushel, devolvendo parcela relevante da valorização registrada nas semanas anteriores.
Caso as compras adicionais não se confirmem, os estoques finais dos Estados Unidos poderiam aumentar para entre 11,6 milhões a 12,2 milhões de toneladas. Um balanço de oferta com esse nível de estoques seria considerado incompatível com preços próximos de US$ 11,50 por bushel. A retirada desse prêmio também se refletiu na estrutura de spreads da soja na Bolsa de Chicago. O diferencial entre os contratos julho e novembro, que havia se ampliado após o anúncio de possíveis compras adicionais em fevereiro, recuou cerca de US$ 0,51 por bushel. Durante negociações diplomáticas realizadas em Paris, autoridades chinesas não assumiram compromisso com a aquisição do volume adicional de soja. A posição reflete um ambiente político mais complexo nas relações comerciais entre os dois países, marcado por discussões sobre tarifas e investigações comerciais. Ainda que a China tenha sinalizado interesse em ampliar compras de alguns produtos agrícolas norte-americanos, como carnes e grãos, a avaliação é de que o potencial de volume adicional permanece limitado.
As importações chinesas de milho no mercado global são estimadas em cerca de 4 milhões de toneladas neste ano, enquanto as compras de trigo poderiam alcançar entre 4,5 milhões e 5 milhões de toneladas. No cenário geopolítico, o mercado também reagiu a sinais de possível flexibilização nas restrições de navegação no Estreito de Ormuz. Indicações de que o Irã poderia aceitar a passagem de navios não norte-americanos contribuíram para pressionar os preços do petróleo, que apresentaram volatilidade próxima de US$ 38,00 por barril ao longo da última semana. Esse movimento levou parte dos investidores a buscar exposição indireta ao mercado de energia por meio de commodities agrícolas, especialmente o milho. No entanto, a avaliação de mercado é de que essa relação tende a ter alcance limitado no longo prazo. Outro fator observado no comércio global de grãos é a elevação dos custos logísticos. Os fretes de granéis secos aumentaram cerca de 26% em relação ao mesmo período do ano anterior, atingindo aproximadamente US$ 2.010 por dia para embarcações com capacidade entre 50 mil e 55 mil toneladas.
O encarecimento do transporte e dos seguros tende a reduzir o apetite de importadores. No mercado de fertilizantes, a ureia apresentou valorização significativa nas últimas semanas, com aumento aproximado de US$ 200 por tonelada, alcançando cerca de US$ 650 por tonelada. O movimento adiciona custo ao plantio do milho nos Estados Unidos, equivalente a cerca de US$ 37,00 por hectare. Para as próximas semanas, três eventos são apontados como potenciais direcionadores do mercado agrícola. Entre eles estão a divulgação das novas metas obrigatórias de biocombustíveis dos Estados Unidos, prevista até o fim de março, a publicação do relatório de estoques e intenções de plantio do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) em 31 de março e eventuais definições sobre uma reunião entre as lideranças de Estados Unidos e China em Pequim. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.