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17/Mar/2026

Nova norma reduz atraso nos embarques à China

Segundo avaliação da Pine Agronegócios, o novo ofício do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) que altera procedimentos de inspeção fitossanitária da soja destinada à China tende a aliviar parcialmente o fluxo operacional nos portos brasileiros, mas não elimina o risco de atrasos nos embarques nem a pressão sobre os prêmios de exportação. A medida voltou a permitir que empresas supervisoras contratadas pelas tradings exportadoras realizem a coleta de amostras de soja na maior parte dos carregamentos destinados ao mercado chinês. Ainda assim, cerca de 10% das cargas continuarão com coleta direta realizada por técnicos da Vigilância Agropecuária Internacional.

Mesmo com essa alteração, a emissão do certificado fitossanitário permanece condicionada à conclusão da inspeção oficial do governo e, quando necessário, à realização de análises laboratoriais. Esse processo pode levar de quatro a cinco dias, o que mantém o risco de lentidão no fluxo portuário durante o período de maior volume de embarques da safra brasileira. O reforço da fiscalização ocorreu após alertas da Administração Geral de Aduanas da China (GACC) sobre a presença de sementes de plantas daninhas em cargas brasileiras, o que contraria o protocolo sanitário firmado entre os dois países. A mudança nos procedimentos provocou impactos operacionais no mercado.

A Cargill chegou a suspender temporariamente embarques de soja destinados à China e interromper compras no mercado doméstico, citando dificuldades na emissão dos certificados fitossanitários. Outras empresas do setor, como Cofco International e CHS Agronegócio, também relataram entraves logísticos. Entidades do setor exportador, incluindo a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) e a Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec), afirmaram acompanhar a situação com preocupação e defenderam medidas que preservem a previsibilidade das operações e a fluidez do comércio exterior. Segundo avaliações de mercado, a maior permanência de navios aguardando liberação nos portos pode elevar o risco de cobrança de demurrage, taxa aplicada quando a embarcação permanece no terminal além do prazo previsto.

Esse custo adicional tende a ser repassado ao mercado e pode reduzir os prêmios de exportação, impactando o preço da soja pago ao produtor no interior. Além disso, o novo ofício ainda deixa dúvidas operacionais sobre em que etapa ocorrerá a coleta oficial nas cargas selecionadas para fiscalização direta e como o procedimento será distribuído entre os diferentes portos exportadores. O tema ganha relevância diante da dependência brasileira do mercado chinês, que responde por cerca de 80% das exportações nacionais de soja. O período entre março e junho concentra o pico sazonal de embarques da safra recém-colhida, o que aumenta a sensibilidade do mercado a eventuais entraves logísticos. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.