13/Mar/2026
A Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) e a Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec) afirmaram que acompanham com atenção e preocupação os desdobramentos relacionados aos embarques de soja destinados à China, diante do reforço das inspeções fitossanitárias que já provoca atrasos operacionais nos portos brasileiros. Em nota conjunta divulgada nesta quinta-feira (12/03), as entidades informaram que mantêm diálogo com autoridades e agentes da cadeia produtiva com o objetivo de preservar a fluidez do comércio, a previsibilidade das operações e a segurança jurídica das transações. A manifestação ocorre no mesmo dia em que o ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, afirmou que a verificação mais rigorosa das cargas atende a uma solicitação do próprio governo chinês. Segundo o ministro, autoridades chinesas vinham alertando o Brasil sobre a presença de sementes de plantas invasoras em carregamentos de soja, situação que poderia comprometer a continuidade das compras do produto brasileiro.
Fávaro informou que representantes das duas entidades participaram de reunião com o governo federal e não contestaram a necessidade de cumprimento do protocolo sanitário, embora tenham solicitado maior agilidade nos procedimentos de fiscalização. O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) passou a reforçar a conferência das cargas por meio da coleta direta de amostras pelos fiscais da pasta, além das verificações já realizadas por certificadoras credenciadas. Quando são identificadas sementes de espécies invasoras não autorizadas, os carregamentos são encaminhados para análise laboratorial, processo que pode levar de quatro a cinco dias. Atualmente, 19 navios aguardam análise da Vigilância Agropecuária Internacional nos portos brasileiros. O endurecimento da fiscalização já gera reflexos nas operações comerciais. O presidente da Cargill no Brasil informou que a companhia suspendeu exportações de soja brasileira para a China e interrompeu compras no mercado doméstico após dificuldades relacionadas à metodologia de amostragem e à emissão dos certificados fitossanitários exigidos para desembarque nos portos chineses.
O ministro rebateu a interpretação da empresa e afirmou que não houve alteração nos protocolos sanitários adotados pelo governo brasileiro. Analistas de mercado indicam que a paralisação das operações já provocou retração nas indicações de compra de soja em algumas regiões produtoras. Apesar disso, a avaliação predominante é de que o impasse tende a ser temporário e não altera, por ora, os fundamentos globais de oferta e demanda da oleaginosa. O histórico de entraves sanitários no comércio de soja entre Brasil e China inclui episódios recentes de suspensão temporária de importações de unidades de processamento brasileiras após a identificação de irregularidades em carregamentos. A China responde por cerca de 80% das exportações brasileiras de soja, o que torna eventuais atrasos nos procedimentos de certificação especialmente sensíveis para o fluxo comercial, sobretudo no período de pico dos embarques da safra brasileira. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.