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13/Mar/2026

Preço internacional da soja sustentado por petróleo

A recente valorização da soja e dos óleos vegetais no mercado internacional tem sido sustentada principalmente pelo choque geopolítico no setor de energia, e não por restrições efetivas de oferta da commodity. Avaliação publicada pela consultoria CZ Insights indica que o avanço da safra brasileira e a perspectiva de aumento da disponibilidade de grãos na China podem limitar a continuidade do movimento altista ao longo do segundo trimestre. Entre o fim de fevereiro e o início de março, as cotações do petróleo Brent avançaram cerca de 42%, impulsionadas por interrupções de produção e embarques no Oriente Médio. A valorização do petróleo repercutiu diretamente no complexo de óleos vegetais, especialmente no óleo de soja, cuja demanda é parcialmente vinculada ao mercado de biodiesel.

No mesmo período, os contratos futuros de óleo de soja registraram alta de aproximadamente 11%, enquanto os preços da soja avançaram cerca de 5%. O movimento também foi observado em outros mercados de óleos vegetais, com o óleo de palma negociado na Malásia registrando valorização de cerca de 13%. No mercado brasileiro, os preços da soja para exportação subiram 3,4% no Porto de Paranaguá (PR) na primeira semana de março, revertendo a tendência de queda observada nos dois primeiros meses de 2026. A colheita da safra 2025/26 no Brasil avança com atraso em função das chuvas, especialmente em Mato Grosso. Segundo levantamento da AgRural, cerca de 39% da produção havia sido colhida até o final de fevereiro, abaixo dos 50% registrados no mesmo período do ano anterior.

As estimativas de produção permanecem elevadas. Projeções da AgRural e da StoneX indicam safra próxima de 178 milhões de toneladas, enquanto a Agroconsult elevou sua previsão para 183,1 milhões de toneladas. Mesmo com o ritmo mais lento da colheita, os embarques brasileiros vêm ganhando intensidade. A Associação Nacional dos Exportadores de Cereais estima exportações de 8,88 milhões de toneladas em fevereiro, com base no line-up de navios, frente a 2,4 milhões de toneladas em janeiro. Para março, a projeção é de cerca de 16 milhões de toneladas. Mais de 70% desse volume tem como destino a China, enquanto outros mercados relevantes incluem Espanha, Tailândia, Turquia, Paquistão e Taiwan. No mercado chinês, entretanto, o cenário é de oferta abundante.

As indústrias de esmagamento retomaram operações após o Ano Novo Lunar, mas os estoques de farelo e óleo permanecem elevados em um período sazonalmente fraco de demanda. Além disso, a liderança econômica chinesa estabeleceu meta de crescimento do Produto Interno Bruto entre 4,5% e 5% para 2026, o menor ritmo projetado desde o início da década de 1990. Paralelamente, o governo tem orientado produtores de suínos a reduzir o tamanho dos rebanhos para recuperar os preços da carne, movimento que pode reduzir a demanda por farelo de soja ao longo do ano. Nesse contexto, o setor de soja na China enfrenta pressões opostas: de um lado, a valorização internacional dos óleos vegetais; de outro, a perspectiva de grande entrada de grãos brasileiros nos próximos meses. A expectativa é que o Brasil exporte mais de 11 milhões de toneladas para a China em março, com liberação alfandegária prevista para maio.

Nesse período também devem chegar embarques dos Estados Unidos contratados anteriormente. O fluxo adicional pode ampliar o excedente de oferta no mercado chinês, especialmente se forem retomadas as importações de canola e farelo do Canadá, após ajustes em medidas comerciais aplicadas pela China. Outro fator de risco para os embarques brasileiros é a possibilidade de inspeções alfandegárias mais rigorosas na China, o que pode ampliar o tempo de liberação das cargas e elevar o risco de rejeições por questões fitossanitárias. Nesse cenário, o choque no mercado de energia tende a oferecer suporte temporário às cotações, enquanto o avanço da safra brasileira e o aumento da disponibilidade global de grãos podem voltar a pressionar os preços nos próximos meses. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.