13/Mar/2026
A suspensão temporária das compras e dos embarques de soja do Brasil pela Cargill expôs um ruído sanitário no fluxo comercial com a China, em meio a mudanças nos procedimentos de inspeção fitossanitária adotados pelo governo brasileiro a pedido do governo chinês. A alteração no sistema de verificação foi implementada pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e passou a substituir a amostragem padrão do mercado por coleta direta de amostras pelas autoridades. A nova metodologia tem gerado divergências na classificação das cargas destinadas ao mercado chinês, impedindo a emissão de certificados fitossanitários exigidos para o desembarque nos portos do país asiático. Sem esse documento, os navios não podem descarregar a carga, o que levou a trading a suspender exportações desde o início de março.
Como consequência, as compras de soja no mercado doméstico também foram interrompidas. O impacto no mercado físico brasileiro foi imediato. Relatos de operadores indicam retração significativa nas indicações de compra em regiões produtoras, reduzindo a liquidez no período de pico sazonal das exportações do País. A China responde por aproximadamente 80% das vendas externas brasileiras de soja, fator que torna alterações nos critérios sanitários potencialmente relevantes para o fluxo comercial entre os dois países. O episódio tende a ter duração limitada e não altera os fundamentos globais da oleaginosa. O Brasil registra atualmente uma safra volumosa, e o impasse estaria concentrado nos procedimentos de certificação das cargas, e não na disponibilidade física do produto.
Existe a possibilidade de fatores comerciais ou estratégicos influenciaram o endurecimento das inspeções sanitárias chinesas, em um momento de reaproximação diplomática entre Estados Unidos e China. Autoridades norte-americanas têm reuniões previstas com autoridades chinesas em Paris, na França, com temas relacionados ao comércio agrícola entre os assuntos esperados na agenda. Casos semelhantes de restrições sanitárias já foram registrados recentemente. Em novembro de 2025, autoridades chinesas suspenderam temporariamente importações provenientes de unidades de processamento brasileiras após a identificação de trigo tratado com defensivos misturado a carregamentos de soja. Episódios comparáveis também ocorreram em 2024, reforçando o histórico de rigor sanitário nas compras chinesas. No mercado internacional, os preços da soja seguem sustentados. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.