12/Mar/2026
Os contratos futuros de soja negociados na Bolsa de Chicago encerraram a sessão desta quarta-feira (11/03) em alta, sustentados principalmente pela valorização do óleo de soja e pelo avanço dos preços do petróleo no mercado internacional. O contrato com vencimento em maio subiu 12,25 cents, ou 1,02%, e fechou a US$ 12,14 por bushel. O desempenho do complexo da soja foi impulsionado sobretudo pelo mercado de derivados. O óleo de soja registrou ganhos expressivos em meio a rumores de que as metas de mistura de biocombustíveis da Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos podem ser fixadas próximas de 5,4 bilhões de galões neste ano, volume superior ao esperado por parte dos investidores. O cenário geopolítico também permanece como fator relevante de sustentação para as commodities agrícolas.
Apesar da decisão dos países-membros da Agência Internacional de Energia (AIE) de liberar cerca de 400 milhões de barris de petróleo de reservas estratégicas, os preços do petróleo voltaram a subir durante a sessão, refletindo a persistência das tensões no Oriente Médio. O conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, aliado ao bloqueio do Estreito de Ormuz, mantém elevado o prêmio de risco nos mercados globais de energia e matérias-primas. Relatórios de segurança marítima também indicaram novos ataques a embarcações comerciais na região, ampliando os temores de interrupções prolongadas nos fluxos internacionais. No campo dos fundamentos, o mercado continua avaliando os dados do relatório mensal de oferta e demanda do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA).
O órgão manteve a estimativa para a produção brasileira de soja em 180 milhões de toneladas, contrariando expectativas de parte do mercado que projetava revisão para baixo. Para a Argentina, a projeção de produção foi reduzida para 48 milhões de toneladas, refletindo impactos de condições climáticas adversas. O balanço norte-americano também permaneceu inalterado, com estoques finais estimados em 9,52 milhões de toneladas, sinalizando um quadro de oferta e demanda ainda considerado equilibrado dentro dos padrões históricos. O avanço da colheita no Brasil segue atuando como fator limitante para movimentos mais intensos de alta na Bolsa de Chicago. Segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a colheita atingia 50,6% da área semeada até o dia 7 de março, ritmo 2,1% acima da média dos últimos cinco anos.
Por outro lado, o recuo do dólar frente ao Real observado na sessão tende a reduzir a competitividade das exportações brasileiras, o que pode oferecer suporte adicional às cotações da soja no mercado norte-americano. A atenção do mercado também se volta para o encontro previsto entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o presidente da China, Xi Jinping, programado para o final do mês em Pequim. Operadores acompanham as negociações comerciais em andamento com expectativa de eventuais anúncios de compras chinesas de soja norte-americana. Apesar disso, a demanda externa pela soja dos Estados Unidos continua enfrentando forte concorrência do produto brasileiro, que segue mais competitivo no mercado internacional.