11/Mar/2026
A Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT) pediu a adoção de medidas para evitar uma alta expressiva do diesel no Brasil diante da recente volatilidade no mercado internacional de petróleo. A entidade afirmou que o setor agropecuário enfrenta um cenário econômico desafiador e que novos aumentos no combustível podem agravar a situação financeira dos produtores. Segundo a associação, o contexto atual combina custos elevados de produção, crédito restrito, endividamento elevado e margens pressionadas no campo.
Nesse cenário, o aumento do preço do diesel representa um fator adicional de risco para a atividade agropecuária. A preocupação ocorre após a escalada das tensões no Oriente Médio elevar as cotações do petróleo nas últimas semanas. Estimativas de mercado indicaram que a defasagem do diesel no Brasil chegou a aproximadamente 85% em relação ao mercado internacional, antes de recuar para cerca de 60% com a queda recente do petróleo Brent de aproximadamente US$ 120 para níveis próximos de US$ 91 por barril. Apesar da pressão internacional, os preços ao consumidor registraram até agora variações moderadas.
Dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) mostram que o preço médio da gasolina passou de R$ 6,28 para R$ 6,30 por litro entre a última semana de fevereiro e 7 de março, enquanto o diesel subiu de R$ 6,03 para R$ 6,08 no mesmo período. A Aprosoja-MT destacou que o diesel é um insumo essencial para o funcionamento da cadeia agropecuária e da logística nacional. O combustível é utilizado nas operações mecanizadas no campo, no transporte de insumos e no escoamento da produção agrícola, além de sustentar grande parte do sistema de transporte rodoviário do País. A situação atual evidencia uma fragilidade estrutural do sistema energético brasileiro.
Embora o País seja um grande produtor de petróleo, ainda não possui autossuficiência na produção de diesel e depende de importações para suprir parte da demanda interna. Como alternativa estrutural, a associação defende o avanço da política de biocombustíveis, especialmente com a ampliação da mistura obrigatória de biodiesel ao diesel fóssil. Segundo a entidade, a medida pode fortalecer a segurança energética, reduzir a dependência de importações e valorizar a produção nacional de soja, principal matéria-prima do biodiesel no Brasil.
A Aprosoja-MT também mencionou a possibilidade de adoção de medidas emergenciais de política tributária para mitigar os impactos de choques externos sobre os combustíveis, citando como precedente a redução temporária de tributos federais e estaduais adotada em 2022. Aumentos significativos no preço do diesel tendem a gerar efeitos em cadeia sobre a economia, pressionando custos de transporte e contribuindo para a elevação dos preços de alimentos, medicamentos e outros produtos essenciais. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.