10/Mar/2026
Os contratos futuros de soja negociados na Bolsa de Chicago encerraram a sessão desta segunda-feira (09/03) em leve baixa, refletindo principalmente movimentos de realização de lucros após uma sequência de cinco semanas de valorização. O contrato com vencimento em maio recuou 4,50 cents (0,37%), e fechou a US$ 11,96 por bushel. Nos últimos 30 dias, a oleaginosa acumulou alta superior a 6%, enquanto o ganho em 2026 já se aproxima de 13%, o que estimulou investidores a reduzir posições após o mercado superar recentemente o patamar psicológico de US$ 12,00 por bushel. Além do ajuste técnico, o avanço da colheita no Brasil e a perspectiva de produção recorde no País também contribuíram para pressionar os preços.
Segundo levantamento da AgRural, 51% da área cultivada com soja no Brasil estava colhida até a semana passada, ante 39% na semana anterior e 61% no mesmo período do ano passado. Com o avanço da colheita em Mato Grosso, o foco do mercado começa a se deslocar para áreas de calendário mais tardio, onde irregularidades climáticas ainda geram incertezas. No comércio internacional, dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) indicaram que 879,2 mil toneladas de soja foram inspecionadas para exportação na semana encerrada em 5 de março, queda de 24,3% em relação à semana anterior. Do volume total, 411,5 mil toneladas tiveram como destino a China. No acumulado do atual ano comercial, as inspeções somam 27,09 milhões de toneladas, uma redução de 29,6% em comparação com o mesmo período do ciclo anterior, indicando um ritmo de exportação mais lento.
Para atingir a meta oficial de embarques, o fluxo de exportações precisará acelerar nas próximas semanas. O mercado também aguarda o relatório mensal de oferta e demanda do USDA, que será divulgado nesta terça-feira (10/03). Analistas projetam pequenos ajustes na produção sul-americana, com estimativa para a safra brasileira próxima de 179,3 milhões de toneladas e produção da Argentina ao redor de 48,1 milhões de toneladas. Para os Estados Unidos, a expectativa é de ajuste nos estoques finais, embora operadores avaliem que o cenário geopolítico global continue sendo o principal fator de influência sobre os mercados de commodities no curto prazo.