10/Mar/2026
Os contratos futuros de soja negociados na Bolsa de Chicago voltaram a operar acima de US$ 12,00 por bushel, patamar psicológico que não era observado desde o fim do ano anterior. O contrato com vencimento em maio avançou cerca de US$ 0,15 por bushel, atingindo níveis próximos de US$ 12,16 por bushel. O movimento foi impulsionado pela valorização do petróleo, pelo retorno de fundos de investimento às posições compradas e por sinais de distensão comercial entre Estados Unidos e China. A alta ocorre em um ambiente de maior volatilidade geopolítica associada ao conflito no Oriente Médio. O petróleo WTI chegou a se aproximar de US$ 120 por barril durante a madrugada, maior nível desde meados de 2022, após ataques a instalações petrolíferas no Irã e ameaças de retaliação contra infraestrutura energética de países da região. Parte da alta foi posteriormente devolvida após discussões entre países do G7 sobre a liberação de cerca de 400 milhões de barris de reservas estratégicas, o que levou as cotações novamente para níveis próximos de US$ 100 por barril.
O Estreito de Ormuz, corredor responsável por aproximadamente 20% do petróleo comercializado globalmente, permanece com fluxos logísticos reduzidos em razão da intensificação de ataques e ameaças na região. A valorização semanal do petróleo WTI atingiu o maior nível desde o início do contrato, em 1983, refletindo a forte reação dos mercados de energia ao risco geopolítico. Nos mercados agrícolas, o impacto da alta da energia ocorre por dois canais principais. O primeiro é direto, já que soja e milho são matérias-primas relevantes para a produção de biodiesel e etanol. A valorização do petróleo tende a elevar o interesse de investidores pelo complexo de grãos, movimento que contribuiu para alta superior a 4% do óleo de soja no início das negociações. O segundo canal envolve o mercado de fertilizantes. Parte relevante do comércio global desses insumos também transita pela região do Golfo Pérsico, de modo que eventuais interrupções logísticas prolongadas podem elevar os custos de produção agrícola em diversas regiões do mundo.
Esse fator tem contribuído para sustentação adicional das cotações do trigo nas últimas sessões, sobretudo diante da proximidade da janela de aplicação de fertilizantes no trigo de inverno no Hemisfério Norte. O milho também registrou valorização no mercado internacional. O contrato com vencimento em maio avançou para níveis próximos de US$ 4,68 por bushel após superar uma resistência técnica relevante. Já o trigo com o mesmo vencimento foi negociado ao redor de US$ 6,21 por bushel. Apesar de estoques domésticos confortáveis nos Estados Unidos, os estoques globais do cereal e a relação entre oferta e consumo seguem em trajetória de redução, oferecendo suporte estrutural às cotações. A movimentação dos fundos de investimento também tem contribuído para sustentar os preços. Na semana encerrada em 3 de março, grandes gestores ampliaram suas posições compradas em milho em cerca de 65 mil contratos líquidos, retomando posição comprada pela primeira vez desde dezembro e atingindo o maior nível desde abril do ano anterior.
No mercado de soja, foram adquiridos aproximadamente 16 mil contratos, elevando a posição líquida comprada para 187 mil contratos, maior patamar desde o início de dezembro. No trigo houve venda líquida de aproximadamente 7 mil contratos. No campo da demanda internacional, a China aparece como fator adicional de sustentação ao mercado. O país sinalizou intenção de manter relações comerciais estáveis com os Estados Unidos apesar das tensões geopolíticas globais. Um encontro entre lideranças dos dois países segue previsto para este mês, com negociações preparatórias ocorrendo em Paris. Nesse contexto, o anúncio recente de compras chinesas adicionais de aproximadamente 8 milhões de toneladas de soja norte-americana contribui para fortalecer a demanda no curto prazo.
Apesar do ambiente favorável às cotações internacionais no momento, a oferta global segue pressionada pelo avanço da safra brasileira, que apresenta volume elevado e competitividade de preços no mercado internacional. Esse fator tende a limitar a duração de movimentos mais intensos de valorização nas cotações da soja. Historicamente, episódios de forte alta associados a choques geopolíticos podem apresentar duração limitada. Situação semelhante foi observada em março de 2022, quando o início do conflito entre Rússia e Ucrânia provocou um rali nos mercados de grãos que atingiu seu pico aproximadamente dois meses depois. Nesse contexto, o atual movimento de valorização tende a apresentar intensidade no curto prazo, com possibilidade de perda de força à medida que os fundamentos globais de oferta voltem a predominar. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.