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09/Mar/2026

Preços da soja avançando no mercado doméstico

As negociações envolvendo os produtos do complexo soja começam a se aquecer no Brasil. Apesar de este ser um comportamento sazonal no período, nota-se uma ampliação das relações comerciais com países que anteriormente apresentavam menor demanda pelos produtos. Além de o Brasil já concentrar a maior demanda global neste período de entrada de safra (41,7% da temporada 2025/26 já foi colhida até o final de fevereiro, segundo a Conab), o conflito no Oriente Médio pode redirecionar outros compradores ao País, o que intensificaria ainda mais as exportações nacionais. Vale destacar que, de acordo com o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), o Brasil deve ser responsável por atender 61% da demanda global. O fechamento do estreito de Ormuz, uma das principais rotas do petróleo mundial, também gera especulações de aumento do preço do combustível e, consequentemente, encarecimento do frete rodoviário. Vale lembrar que o fluxo de caminhões neste período do ano no Brasil já é maior, e o frete vem subindo devido à demanda para a colheita de soja e à intensificação dos embarques brasileiros.

Diante do aumento do frete brasileiro, que tende a reduzir o valor recebido pelos produtores, boa parte desses agentes já se mostra mais ativa nas vendas da oleaginosa, o que vem elevando a liquidez no mercado spot nacional. Além disso, as vendas foram estimuladas pela proximidade de vencimento de compromissos financeiros e pela recuperação cambial. Nos últimos sete dias, o Indicador da soja Paranaguá ESALQ/BM&F, referente ao grão depositado no corredor de exportação e negociado na modalidade spot (pronta entrega), no Porto de Paranaguá, apresenta alta de 2,2%, cotado a R$ 129,54 por saca de 60 Kg. A média ponderada da soja no Paraná, refletida no Indicador CEPEA/ESALQ registra valorização de 1,2% nos últimos sete dias, a R$ 121,80 por saca de 60 Kg. Nos últimos sete dias, as cotações da soja registram avanço de 0,7% no mercado de balcão (preço pago ao produtor) e de 0,5% no mercado de lotes (negociações entre empresas). Para o óleo de soja, o prêmio de exportação é pressionado pela baixa demanda interna e por correção à forte alta na Bolsa de Chicago.

No dia 5 de março, o prêmio do derivado foi o menor desde 18 de outubro de 2023, quando considerados os embarques de primeiro vencimento. Esse cenário impede avanços significativos no preço do óleo de soja no mercado spot nacional. Deste modo, o óleo de soja (posto em São Paulo com 12% de ICMS) tem avanço de apenas 0,1% nos últimos sete dias, a R$ 6.445,73 por tonelada. Em relação ao farelo de soja, o baixo poder de compra de parte dos consumidores internos resulta em oscilações de preços entre as regiões. Com isso, o preço do farelo de soja registra recuo de 0,5% nos últimos sete dias. As exportações brasileiras do complexo soja registraram recorde em fevereiro. No mês, o Brasil embarcou 7,1 milhões de toneladas de soja, volume 279% superior ao registrado em janeiro/26 e 10,7% acima do escoado em fevereiro/25. Embora 72% do total embarcado em fevereiro tenha sido destinado à China, outros mercados também apresentaram desempenho relevante na absorção da soja brasileira.

As exportações para Taiwan (Formosa) cresceram 46,3% em um ano, atingindo em fevereiro/26 o maior volume desde abril/25. Também foram observados avanços expressivos nos embarques para Turquia (+170,4% no comparativo anual) Países Baixos, Holanda (+61,7%) e Argélia (+37,7%). Os volumes escoados a esses países em fevereiro foram os maiores desde junho/25. Os embarques para a Espanha cresceram 75% em um ano, registrando o maior volume em sete meses. Os embarques de óleo de soja também se intensificaram em fevereiro e registraram crescimentos de 62,2% sobre os de janeiro e de 104% no comparativo anual, somando 217,1 mil toneladas no último mês. Trata-se da maior quantidade escoada desde junho/23 e um recorde para um mês de fevereiro. Esse cenário se deve, sobretudo, à maior demanda da Índia, que recebeu do Brasil a maior quantidade mensal de óleo de soja desde junho/23. Quanto às exportações de farelo de soja, somaram 1,71 milhão de toneladas em fevereiro, queda de 5,2% sobre as de janeiro/26, mas um recorde para o mês.

O principal destino do farelo brasileiro em fevereiro foi a Indonésia, mesmo com redução de 47,1% nos embarques frente a janeiro. Por outro lado, a França adquiriu a maior quantidade de farelo de soja do Brasil desde maio do ano passado, e foi o segundo principal destino dos embarques brasileiros no último mês. Os preços futuros do óleo de soja são impulsionados pela valorização do petróleo, que tende a estimular a produção de biodiesel (o óleo de soja é a principal matéria-prima do biocombustível). Com isso, na Bolsa de Chicago, o contrato Março/2026 registra avanço de expressivos 6,6% nos últimos sete dias, alcançando o maior valor desde 6 de setembro/23, a US$ 1.440,04 por tonelada. A alta deste coproduto e o atraso na colheita de soja no Brasil dão sustentação ao preço futuro da soja, que atingiu, no dia 5 de março, o maior patamar desde 8 de julho/2024, de US$ 11,63 por bushel, alta de 1,4% nos últimos sete dias. O contrato Março/2026 de farelo de soja apresenta recuo de 3,8% nos últimos sete dias, negociado a US$ 336,86 por tonelada. Fonte: Cepea. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.