09/Mar/2026
Os contratos futuros de soja negociados na Bolsa de Chicago encerraram a sessão de sexta-feira (06/03) em alta, refletindo a influência das tensões geopolíticas no Oriente Médio sobre os mercados de commodities. A percepção de prolongamento do conflito envolvendo o Irã impulsionou os preços do petróleo e dos fertilizantes, aumentando a preocupação com os custos de produção agrícola e reforçando o movimento altista nos grãos. O vencimento maio da oleaginosa avançou 21,50 cents, ou 1,82%, para US$ 12,00 por bushel. No acumulado da semana passada, o contrato registrou valorização de 2,56%. O ambiente de maior aversão ao risco tem favorecido a entrada de capital especulativo nos mercados de commodities agrícolas.
Nesse contexto, fatores macroeconômicos e geopolíticos passaram a exercer influência predominante sobre a formação dos preços, reduzindo temporariamente o peso dos fundamentos tradicionais de oferta e demanda. Nos fundamentos, as exportações norte-americanas continuam em ritmo fraco. Dados divulgados pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) indicam que exportadores dos Estados Unidos venderam 36 milhões de toneladas de soja desde o início do ano comercial, em 1º de setembro, volume 18,4% inferior ao registrado no mesmo período do ciclo anterior. A ausência da China no mercado norte-americano permanece como fator relevante para o desempenho das vendas externas dos Estados Unidos. Embora exista expectativa em torno de um encontro entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o líder chinês, Xi Jinping, não há previsão de grandes aquisições chinesas no curto prazo, uma vez que o país mantém foco na oferta disponível na América do Sul.
No Brasil, o avanço da colheita reforça a perspectiva de safra recorde. De acordo com estimativa da Agroconsult, a produção brasileira na temporada 2025/26 pode alcançar 183,1 milhões de toneladas. Na Argentina, levantamento da Bolsa de Cereais de Buenos Aires indica que 30% das lavouras estavam em condição boa ou excelente na última semana, avanço de 1% em relação à semana anterior. A projeção de produção foi mantida em 48,5 milhões de toneladas. As tensões geopolíticas também tendem a reduzir a influência do relatório mensal de oferta e demanda do USDA previsto para esta terça-feira (10/03). Para o relatório de março, analistas projetam revisão da estimativa de produção brasileira de 180 milhões de toneladas para 179,3 milhões de toneladas, enquanto a previsão para a safra da Argentina deve passar de 48,5 milhões de toneladas para 48,1 milhões de toneladas.