09/Mar/2026
A incidência de ferrugem asiática da soja no Brasil atingiu 325 casos confirmados na safra 2025/26, segundo levantamento do Consórcio Antiferrugem. A doença mantém avanço nas áreas produtoras e exige intensificação das estratégias de monitoramento e manejo nas lavouras. O estado do Paraná concentra o maior número de registros, com 156 ocorrências. Em seguida aparecem Mato Grosso do Sul, com 69 casos, e Rio Grande do Sul, com 58 notificações. Também há registros em São Paulo (19), Goiás (6), Minas Gerais (5) e Mato Grosso (5). Ocorrências adicionais foram confirmadas na Bahia (3), em Santa Catarina (2) e em Rondônia (2). A ferrugem asiática, causada pelo fungo Phakopsora pachyrhizi, é considerada uma das principais doenças da cultura da soja e pode provocar perdas de até 90% da produtividade quando não controlada adequadamente. O manejo preventivo é considerado fundamental para reduzir os impactos da doença.
Entre as práticas recomendadas estão o cumprimento do vazio sanitário, a realização da semeadura dentro da janela indicada para cada região e a adoção de cultivares resistentes ou tolerantes. O controle químico também é considerado parte essencial da estratégia de manejo, com a utilização combinada de fungicidas sítio-específicos e multissítios para aumentar a eficiência das aplicações e reduzir o risco de desenvolvimento de resistência. Outras medidas agronômicas incluem a eliminação de plantas voluntárias durante o período de entressafra, o uso de cultivares de ciclo precoce e a antecipação da semeadura dentro da janela recomendada, estratégia que permite reduzir a exposição das lavouras ao período de maior pressão da doença. Especialistas destacam que o planejamento da safra, o monitoramento constante das áreas produtivas e a adoção integrada dessas práticas são determinantes para reduzir perdas e preservar a produtividade da cultura da soja no País.
No campo tecnológico, a Embrapa, em parceria com a Universidade Federal de São Carlos, desenvolveram uma plataforma baseada em inteligência artificial voltada à identificação precoce da ferrugem asiática. A ferramenta integra o projeto Ferramenta Digital Avançada para o Gerenciamento de Riscos Agrícolas, apoiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo. O sistema reúne informações climáticas, imagens digitais de folhas e parâmetros agronômicos, como cultivar, espaçamento e calendário de plantio, para estimar o risco de ocorrência do fungo nas lavouras. Hospedada em nuvem, a plataforma gera relatórios e recomendações técnicas de manejo, permitindo acompanhar a evolução da doença e indicar o momento mais adequado para adoção de medidas de controle. A tecnologia amplia a precisão no diagnóstico, reduz aplicações desnecessárias de fungicidas e contribui para diminuir custos de produção e impactos ambientais, além de favorecer ações preventivas antes que a doença atinja níveis mais severos nas lavouras. Fonte: Canal Rural. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.