09/Mar/2026
A escalada das tensões no Oriente Médio provocou forte alta nas cotações do petróleo, movimento que se transmitiu para os mercados de commodities agrícolas. O contrato maio da soja encerrou a sessão anterior próximo de US$ 11,79 por bushel, após valorização próxima de 10 centavos. No mesmo período, o milho com vencimento em maio avançou cerca de US$ 0,10 por bushel, para US$ 4,54 por bushel, enquanto o trigo negociado em Chicago registrou ganho de aproximadamente US$ 0,16 por bushel, alcançando US$ 5,84 por bushel. No mercado de energia, o petróleo WTI acumulou valorização próxima de 25% ao longo da semana passada, superando a marca de US$ 80 por barril. Na sexta-feira (06/03), as cotações avançavam mais de 5%, sendo negociadas ao redor de US$ 85 por barril. A superação da faixa de US$ 80 por barril passa a configurar um novo patamar de preços para o petróleo, com possibilidade de avanço em direção a US$ 95 por barril, nível associado a importantes resistências técnicas no mercado internacional.
A relação entre energia e grãos tornou-se mais intensa nas últimas décadas, especialmente com a expansão global dos biocombustíveis. Esse processo ampliou a correlação entre os mercados agrícolas e o setor energético, fazendo com que oscilações no petróleo tenham impacto mais direto sobre commodities como milho e soja. No caso do milho, parte do mercado também associa a recente valorização dos contratos da nova safra a preocupações com a disponibilidade de fertilizantes e à possibilidade de redução da área plantada nos Estados Unidos em 2026. O conflito no Oriente Médio levanta dúvidas sobre a produção de insumos em países dependentes da energia da região, como Índia e Egito. Apesar dessas preocupações, o impacto efetivo sobre a área cultivada ainda permanece incerto, uma vez que parte relevante das compras de fertilizantes pelos produtores norte-americanos já havia sido realizada ou aplicada no outono do Hemisfério Norte.
No mercado de soja, estimativas indicam que apenas entre 20% e 30% da safra 2025 ainda esteja nas mãos dos produtores norte-americanos, já que a maior parte da produção foi comercializada cerca de cinco a seis meses atrás. Dessa forma, a recente recuperação dos preços ocorre em momento tardio para parte significativa dos produtores. No caso do trigo, o mercado também renovou máximas recentes, sustentado por preocupações com a persistência de clima seco nas regiões produtoras das Grandes Planícies dos Estados Unidos. Caso as lavouras retomem o crescimento após o período de dormência sob condições climáticas adversas, o cereal pode ganhar destaque entre as commodities agrícolas nas próximas semanas, especialmente se continuar o fluxo de investimentos para o setor. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.