06/Mar/2026
A Aliança Agrícola do Cerrado informou nesta quinta-feira (05/03) que "tomou conhecimento da decisão proferida pelo Tribunal de Justiça de Minas Gerais e está avaliando se recorrerá da medida pelas vias legais cabíveis". Em posicionamento oficial, a empresa afirmou que manterá os esforços para o "regular andamento de suas operações e processo de reestruturação" e disse já ter realizado cerca de 200 recontratações para restabelecer as atividades industriais nas unidades de Bataguassu (MS) e São Joaquim da Barra (SP). A manifestação ocorre em meio ao processo de tutela cautelar antecedente que tramita na 10ª Vara Cível de Uberlândia (MG), no qual a companhia pede a suspensão de cobranças e execuções por 60 dias e a liberação de cerca de R$ 380 milhões retidos em garantias bancárias. A juíza Claudiana Silva de Freitas indeferiu o pedido em 4 de fevereiro, por entender que a empresa não demonstrou de forma concreta a viabilidade de sua reestruturação. A magistrada destacou que a lógica da preservação empresarial "pressupõe atividade em funcionamento e perspectiva real de soerguimento".
Na ação, a Aliança Agrícola havia alegado enfrentar grave crise econômico-financeira e informou a instauração de mediação com credores. A juíza concluiu, porém, que não estavam presentes os requisitos legais para a concessão da medida de urgência. O despacho aponta que a suspensão pretendida poderia interferir diretamente em direitos creditórios regularmente exercidos pelos credores e afetar garantias contratuais pactuadas, exigindo análise incompatível com a cognição sumária de uma tutela cautelar. A magistrada também registrou que não há previsão legal para liberar, em tutela cautelar genérica, valores já bloqueados ou penhorados, e que negociações com credores podem ocorrer na esfera privada, sem imposição judicial de moratória. Segundo o despacho, conceder a medida poderia gerar "dano inverso" aos credores. O número de recontratações informado nesta quinta-feira supera comunicações anteriores. Em 5 de fevereiro, a companhia havia informado a recontratação de 70 profissionais.
Cerca de três semanas atrás, em publicação nas redes sociais, a Aliança Agrícola afirmou que seu "processo de reestruturação segue avançando de forma consistente" e detalhou plano de abertura de aproximadamente 217 posições de trabalho, com 139 vagas já selecionadas e 78 disponíveis, principalmente na região de Bataguassu. Na ocasião, a empresa informou aguardar "a conclusão de etapas protocolares envolvendo trâmites estaduais e municipais" para iniciar a retomada operacional, "prevista para ocorrer no início do próximo mês". Nesta quinta-feira (05/03), a companhia não informou se a retomada já foi iniciada nem apresentou cronograma atualizado para o reinício do processamento de soja nas duas plantas. Também não detalhou eventuais planos de pedido formal de recuperação judicial ou extrajudicial nem a situação dos contratos de compra, armazenagem e entrega de grãos firmados com produtores para a safra 2025/26. A crise da Aliança Agrícola tornou-se pública em 13 de janeiro, quando a empresa deixou de pagar os juros mensais de Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs) emitidos em 2023, operação que havia captado R$ 147 milhões no mercado.
A securitizadora Ecoagro executou as garantias e quitou integralmente os investidores em 27 de janeiro, no valor de R$ 114,3 milhões. No dia seguinte ao inadimplemento, a companhia comunicou internamente o fechamento das operações e demitiu 344 trabalhadores. As unidades de Bataguassu e São Joaquim da Barra foram paralisadas, assim como bases comerciais em Mato Grosso, São Paulo, Minas Gerais e Goiás. As duas plantas tinham capacidade combinada de processar 736 mil toneladas de soja por ano. Controlada pelo grupo russo Sodrugestvo, a Aliança Agrícola acumula passivo estimado em R$ 1,16 bilhão. A lista de credores apresentada no processo discrimina R$ 971,6 milhões em dívidas com identificação nominal. O Banco do Brasil é o maior credor individual, com cerca de R$ 135 milhões em exposição, seguido por Ecoagro Participações (R$ 110,6 milhões), Macquarie Bank (R$ 104 milhões), Santander (R$ 95,6 milhões) e XP Investimentos (R$ 80 milhões). O processo também lista produtores rurais, cooperativas e tradings com contratos vinculados à safra 2025/26. Fonte: Broadcast Agro.