06/Mar/2026
A demanda global por soja deve apresentar crescimento mais moderado nos próximos anos, com a China, maior importadora mundial do grão, deixando de atuar como principal motor de expansão do mercado. As compras chinesas devem permanecer praticamente estáveis, situadas entre 105 milhões e 110 milhões de toneladas por ano, patamar considerado típico de um mercado já consolidado.
A desaceleração da demanda está diretamente relacionada ao ciclo da suinocultura chinesa, responsável por parcela relevante do consumo de ração no país. Os preços do suíno permanecem pressionados e o setor ainda passa por um processo de ajuste no tamanho do rebanho, condição necessária para a recuperação da rentabilidade da atividade.
Outro fator estrutural está ligado ao avanço tecnológico na agricultura chinesa. Atualmente, apenas cerca de 7% da área cultivada com milho utiliza sementes geneticamente modificadas. A ampliação do uso dessa tecnologia pode elevar a produtividade entre 30% e 33% em relação às variedades convencionais, reduzindo parcialmente a dependência do país em relação às importações de grãos e, em menor medida, também de soja.
Com a demanda chinesa mais estável, o crescimento do consumo global tende a depender cada vez mais da expansão dos biocombustíveis. Ainda assim, o setor enfrenta incertezas relacionadas ao comportamento do mercado de energia e ao ambiente geopolítico internacional.
O conflito envolvendo o Irã já produz reflexos no comércio agrícola global. O país importa entre 16 milhões e 17 milhões de toneladas de grãos por ano, principalmente trigo proveniente da Rússia e milho do Brasil. As operações comerciais com o mercado iraniano encontram-se praticamente paralisadas no momento, em função do conflito e das restrições de seguro marítimo.
Um dos principais pontos de atenção permanece sendo o Estreito de Ormuz, rota estratégica para o transporte global de petróleo. Embora o mercado disponha de estoques capazes de absorver uma interrupção de curto prazo, um bloqueio prolongado poderia pressionar os preços da energia e gerar efeitos indiretos sobre outras commodities agrícolas.
Na avaliação geopolítica, o confronto envolvendo os Estados Unidos também se insere em uma disputa estratégica mais ampla com a China. Países como Irã e Venezuela figuram entre os fornecedores relevantes de petróleo para o mercado chinês, o que confere ao tema energético um peso adicional na disputa por influência econômica global.
Mesmo diante de um ambiente internacional mais incerto, o Brasil permanece em posição competitiva no mercado agrícola global. Estudos indicam que o produtor brasileiro apresenta atualmente um dos menores custos de produção entre os principais exportadores de soja e milho, à frente de Estados Unidos e Argentina.
Ainda assim, a concorrência internacional tende a se intensificar nos próximos anos, especialmente em um cenário de eventual estabilização econômica da Argentina e de retomada mais consistente das exportações da Ucrânia após o fim do conflito no Mar Negro.
Entre os fatores de risco para o setor brasileiro está o comportamento do câmbio. Uma eventual valorização do real pode reduzir a competitividade das exportações agrícolas, comprimindo as margens dos produtores no mercado internacional.
Diante de um cenário caracterizado por expansão da oferta e demanda global menos dinâmica, a gestão comercial da produção ganha importância estratégica. Em momentos de margens positivas, a fixação antecipada de parte da produção pode contribuir para preservar a rentabilidade em um ambiente de maior volatilidade. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.