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05/Mar/2026

Produção brasileira avança com pesquisa agrícola

A consolidação do Brasil como principal potência global da soja está associada a décadas de investimento público em pesquisa agrícola, enquanto os Estados Unidos reduziram o esforço relativo nessa área e perderam competitividade no comércio internacional de alimentos. A análise tem como base dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) e foi publicada pela Universidade Cornell. A diferença de estratégia tornou-se evidente a partir da década de 1970. Nos últimos 50 anos, a produção brasileira de soja aumentou cerca de 30 vezes, enquanto nos Estados Unidos o crescimento foi de 2,7 vezes no mesmo período. O impacto também é observado no comércio internacional. Os Estados Unidos chegaram a responder por aproximadamente 80% das exportações globais de soja, mas perderam participação nas últimas décadas.

Atualmente, o Brasil concentra cerca de 60% das vendas internacionais do grão. A liderança brasileira na soja, principal componente da ração animal no mundo, contribuiu para que o País ultrapassasse os Estados Unidos como maior produtor global de carne bovina, reforçando o efeito sistêmico da competitividade agrícola sobre outras cadeias produtivas. A avaliação técnica aponta que o fator central dessa mudança estrutural não está nas disputas comerciais ou em políticas tarifárias, mas no desinvestimento público norte-americano em pesquisa e desenvolvimento no setor agroalimentar. Os gastos federais dos Estados Unidos com pesquisa agrícola somam atualmente cerca de US$ 5 bilhões por ano, em valores corrigidos pela inflação, patamar semelhante ao observado há cinco décadas. No início dos anos 2000, o investimento público representava mais de 5% do valor da produção agrícola americana, percentual que recuou para aproximadamente 2,6%.

Estudos indicam que o retorno econômico desse tipo de investimento é elevado, com geração estimada de aproximadamente US$ 20 adicionais de renda para cada US$ 1 aplicado em pesquisa agrícola. No comércio exterior, cada US$ 1 bilhão em exportações agrícolas sustenta cerca de 6 mil empregos, em sua maioria fora das fazendas. O ambiente global intensifica a pressão competitiva. A China superou os Estados Unidos em investimento público em pesquisa agrícola em 2013, enquanto a Índia se aproxima rapidamente de patamar semelhante. Os Estados Unidos registraram em 2019 o primeiro déficit comercial agrícola desde 1959, e o desequilíbrio voltou a atingir níveis recordes em 2023. Diante desse quadro, a ampliação de recursos para pesquisa agrícola no próximo Farm Bill é apontada como medida estratégica para recuperar produtividade, acesso a mercados e competitividade estrutural. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.