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04/Mar/2026

Trase usa IA para mapear instalações de soja no Brasil

A Trase mapeou mais de 9.300 silos, armazéns e unidades de processamento de soja no Brasil por meio do uso de inteligência artificial e imagens de satélite, incluindo centenas de instalações que não constavam em registros oficiais. O levantamento busca ampliar a transparência na etapa intermediária da cadeia, na qual diferentes lotes podem ser misturados antes da exportação.

Criada em 2015 como parceria entre o Instituto do Meio Ambiente de Estocolmo (SEI), da Suécia, e a organização britânica Global Canopy, a Trase atua na produção de dados voltados à transparência de cadeias de commodities associadas ao desmatamento. De acordo com a entidade, o sistema desenvolvido combina dois modelos geoespaciais.

O AlphaEarth realiza varredura em larga escala de áreas agrícolas para identificar possíveis estruturas de armazenamento. Na sequência, o modelo Clay executa análise detalhada para distinguir instalações de soja de outras edificações rurais, reconhecendo silos verticais, armazéns com telhados arqueados e estruturas temporárias.

As detecções foram integradas ao Sistema de Cadastro Nacional de Unidades Armazenadoras (Sicarm), principal base oficial brasileira sobre armazenagem. Segundo a Trase, o cadastro apresenta limitações operacionais e não contempla milhares de silos privados localizados em fazendas, nem estruturas temporárias utilizadas em períodos de safra.

A ausência de dados sobre essas instalações intermediárias é apontada como um entrave à rastreabilidade da soja. O União Europeia, por meio do Regulamento de Desmatamento (EUDR), exige que importadores comprovem que os produtos adquiridos não estejam associados a áreas desmatadas. Sem informações detalhadas sobre os pontos de armazenamento e mistura ao longo da cadeia, a comprovação de conformidade pode se tornar mais complexa.

Além da localização geográfica, a Trase busca identificar a titularidade das estruturas. Para isso, utiliza o modelo de linguagem Gemini 2.5 Pro em conjunto com a API do Google Places, cruzando registros corporativos, bases fiscais e mapas digitais. Atualmente, a entidade informa que consegue associar entre 40% e 60% das instalações mapeadas a empresas específicas. A organização reconhece limitações metodológicas.

A confirmação de que uma unidade está efetivamente em operação demanda verificação adicional, e a identificação de estruturas societárias complexas ainda requer análise humana complementar.O levantamento amplia iniciativas anteriores da Trase em outras cadeias produtivas, incluindo o mapeamento de frigoríficos no Brasil, cooperativas de cacau na Costa do Marfim e fábricas de óleo de palma na Indonésia. Segundo a entidade, a metodologia pode ser replicada para outras commodities vinculadas ao risco de desmatamento. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.