04/Mar/2026
Nos Estados Unidos, a soja da safra 2026/2027 negociada na Bolsa de Chicago voltou a operar acima de US$ 11,20 por bushel, patamar aproximadamente US$ 0,50 por bushel superior ao pico registrado antes da colheita do ano passado. O movimento é interpretado como janela relevante de comercialização para o produtor norte-americano, embora o ambiente geopolítico imponha cautela na tomada de decisão.
A avaliação predominante é de que, nos níveis atuais, a margem já se apresenta favorável para fixação parcial da nova safra, mesmo considerando o risco de continuidade do rali. No mercado físico do sul dos Estados Unidos, as cotações giram ao redor de US$ 10,50 por bushel, maior nível desde julho de 2024. Parte relevante da valorização recente tem componente político, associado a discussões comerciais e ao cenário internacional, o que amplia a volatilidade e reduz previsibilidade.
A escalada das tensões envolvendo o Irã adicionou instabilidade aos mercados. O petróleo registrou alta inicial entre US$ 6 e US$ 8 por barril no início da semana, reduzindo posteriormente os ganhos para faixa entre US$ 3,50 e US$ 4 por barril. Nos grãos, a reação foi mais contida, com a soja disponível recuando cerca de 5 centavos por bushel e a nova safra próxima da estabilidade. O mercado encontra resistência técnica após o rali recente, podendo entrar em fase de consolidação até que haja maior clareza sobre o comércio global.
A preocupação indireta recai sobre a China, principal compradora de petróleo iraniano e maior destino da soja mundial, ainda sem reflexos concretos sobre a demanda pelo grão. No front da oferta, a pressão segue concentrada na América do Sul. No Brasil, a colheita avança em área superior a 45 milhões de hectares, com produção estimada acima de 170 milhões de toneladas. Na Argentina, a safra é projetada próxima de 50 milhões de toneladas. A ausência de reação altista consistente sugere que o mercado avalia que a produção sul-americana evolui dentro do esperado.
As condições climáticas nos Estados Unidos permanecem no radar. A previsão para os próximos dez dias indica temperaturas acima da média no Meio-Oeste, com melhora na umidade do solo no cinturão do milho e da soja. A exceção recai sobre o cinturão de trigo de inverno nas Grandes Planícies, especialmente no oeste do Kansas e de Oklahoma. Não há indicação de retorno de frio extremo, com padrão predominantemente mais quente e, em grande parte do cinturão agrícola, mais úmido.
No campo da política agrícola, o Conservation Reserve Program (CRP), criado em 1985 com limite inicial de 45 milhões de acres, equivalentes a 18,2 milhões de hectares, opera atualmente próximo do teto de 10,9 milhões de hectares. O programa mantém dupla função de conservação ambiental e gestão de mercado, podendo ganhar relevância diante das incertezas comerciais.
Para o milho, a avaliação é mais moderada. O contrato dezembro de 2026 operava ao redor de US$ 4,65 por bushel. Os dois últimos contratos de dezembro negociaram abaixo de US$ 4 por bushel antes da colheita, o que recomenda estratégia comercial mais cautelosa e sem movimentos excessivos. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.