03/Mar/2026
Os contratos futuros de soja negociados na Bolsa de Chicago encerraram a sessão desta segunda-feira (02/03) em baixa, refletindo o movimento de aversão a risco nos mercados globais após os ataques conduzidos por Estados Unidos e Israel contra o Irã, que resultaram na morte do aiatolá Ali Khamenei. O fortalecimento do dólar frente a diversas moedas, incluindo o real, pressionou as bolsas e adicionou volatilidade ao mercado de commodities agrícolas. O vencimento maio da oleaginosa recuou 6,75 cents, ou 0,58%, e fechou a US$ 11,64 por bushel.
A reação negativa da China ao episódio também pesou sobre as cotações, diante da expectativa prévia de novas aquisições do grão norte-americano. O governo chinês condenou a ação militar, classificando-a como violação da soberania iraniana, o que elevou o risco geopolítico e adicionou incerteza quanto à reunião prevista para o início de abril entre o presidente Donald Trump e Xi Jinping. O mercado passou a monitorar possíveis desdobramentos diplomáticos que possam afetar o fluxo comercial entre as duas maiores economias globais.
Apesar da queda do grão, o óleo de soja avançou mais de 1%, acompanhando a valorização do petróleo, impulsionada por temores de interrupções logísticas no Estreito de Ormuz, rota estratégica para o transporte de petróleo, gás e outras commodities no Oriente Médio. No Brasil, as condições climáticas seguem interferindo no ritmo de colheita. Levantamento da AgRural indicou que 39% da área cultivada estava colhida até 26 de fevereiro, ante 30% na semana anterior e 50% no mesmo período de 2025, configurando o ritmo mais lento desde a safra 2020/2021.
As precipitações afetaram especialmente áreas de Mato Grosso, Goiás, Mato Grosso do Sul e Estados do Sudeste e do Norte/Nordeste, além de prejudicarem o escoamento da produção, sobretudo no corredor entre Mato Grosso e os portos do Arco Norte. A StoneX revisou para baixo em 2,1% sua estimativa de produção brasileira de soja na safra 2025/26, para 177,8 milhões de toneladas, ante 181,6 milhões projetadas anteriormente. O ajuste de 3,8 milhões de toneladas decorre de impactos climáticos no Sul do País, embora o volume ainda represente novo recorde nacional. O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) informou que 1,137 milhão de toneladas de soja foram inspecionadas para embarque na semana encerrada em 26 de fevereiro, alta de 67% frente à semana anterior. Desse total, 734.698 toneladas tiveram como destino a China.