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03/Mar/2026

Preços da soja: retenção pode não compensar

A estratégia de retenção de soja ao longo de 2026 tende a não apresentar viabilidade econômica diante do atual cenário de mercado. As projeções indicam que a paridade de exportação permanece abaixo do custo de armazenagem na maior parte dos meses estimados para o ano, em contexto de safra cheia no Brasil, estoques globais elevados e real valorizado, fatores que reduzem o incentivo à postergação das vendas.

A análise histórica reforça essa avaliação. Em simulação aplicada às últimas 25 safras, a retenção da oleaginosa para comercialização no segundo semestre foi vantajosa em apenas 9 ocasiões. No ciclo atual, para que a estratégia fosse ao menos financeiramente neutra até novembro, seria necessária valorização de R$ 20 por saca ao longo do ano, movimento considerado improvável diante dos fundamentos vigentes. O cálculo incorpora o valor técnico de armazenagem, a quebra técnica e o custo de oportunidade do capital imobilizado.

No campo comercial, a venda antecipada da safra 2025/26 alcançou 40% da produção esperada até a última semana, patamar mais de 10 pontos porcentuais abaixo da média histórica. Esse volume negociado cobre menos de 60% do custo direto operacional do produtor, mantendo em aberto a definição das margens do ciclo atual.

Embora o mercado não siga trajetória linear e possa registrar janelas pontuais de valorização, associadas a instabilidade cambial em anos eleitorais ou a eventuais problemas climáticos na safra dos Estados Unidos, inclusive sob influência de um El Niño mais intenso no meio do ano, a orientação predominante é de gestão ativa de risco e de fixação de margens, ainda que reduzidas, em ambiente de rentabilidade pressionada.

Para a cadeia de insumos, o ritmo mais lento de comercialização funciona como indicador da capacidade financeira do produtor, especialmente em relação aos vencimentos previstos para 30 de março, 30 de abril e 30 de maio. A menor velocidade de vendas afeta não apenas a formação das margens da safra atual, mas também o fluxo de caixa no primeiro semestre e a saúde financeira dos segmentos vinculados à produção. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.