03/Mar/2026
O óleo de soja renovou máxima de dois anos e meio, sustentado pela alta do petróleo após a ofensiva de Estados Unidos e Israel contra o Irã e pelo avanço do processo regulatório de biocombustíveis nos Estados Unidos. Enquanto os demais contratos do complexo soja recuaram ao longo do pregão, o óleo manteve valorização em razão de sua correlação direta com o mercado de energia, em cenário no qual combustíveis mais caros tendem a estimular a demanda por biocombustíveis.
Na Bolsa de Chicago, o contrato maio/26 da soja em grão recuou 8,25 cents, ou 0,70%, para US$ 11,6250 por bushel, equivalente a aproximadamente US$ 427,29 por tonelada. Em sentido oposto, o óleo de soja apresentou alta nos principais vencimentos: julho avançou 1,21%, para 61,29 cents por libra-peso; agosto subiu 1,33%, para 61,85 cents; e setembro ganhou 1,34%, para 61,89 cents por libra-peso. O movimento reflete a preocupação com possíveis impactos do conflito no Oriente Médio sobre o tráfego de navios no Estreito de Ormuz, rota estratégica para petróleo, gás e outras commodities.
O Estreito de Ormuz concentra cerca de 20% de todo o petróleo transportado por via marítima no mundo, além de aproximadamente um terço da ureia exportada globalmente e entre 20% e 25% da amônia anidra. Há registros de centenas de navios ancorados nos dois lados da rota, diante de riscos operacionais e encarecimento de seguros. Ainda que não haja indicação de fechamento efetivo da passagem, a percepção de risco tem limitado o fluxo no curto prazo.
A paralisação parcial pressiona o mercado de fertilizantes em momento estratégico para o Hemisfério Norte. Oriente Médio e Norte da África respondem por cerca de metade da produção global de ureia. No Golfo, o preço do insumo registrou elevação entre US$ 70 e US$ 80 por tonelada em um único dia. Há também sinais de possível restrição nas exportações chinesas de fosfato para conter preços internos, o que pode intensificar a pressão sobre o mercado internacional. Caso produção e embarques permaneçam comprometidos por semanas, o impacto sobre o custo agrícola tende a ser direto, especialmente às vésperas do plantio no Hemisfério Norte.
No ambiente regulatório dos Estados Unidos, a Agência de Proteção Ambiental encaminhou as diretrizes finais das metas obrigatórias de mistura de biocombustíveis ao Escritório de Gestão e Orçamento da Casa Branca, iniciando o prazo formal de análise. A expectativa no mercado é de que o período de avaliação possa ser inferior ao padrão de 30 dias, possivelmente entre duas e três semanas. Os créditos de descarbonização já reagiram, sinalizando antecipação de definições sobre a política de biocombustíveis.
No contexto geopolítico, a China figura entre os países mais expostos a eventuais mudanças no fornecimento iraniano, dada a aquisição de petróleo com desconto. O tema foi levado ao Conselho de Segurança da ONU, enquanto seguem mantidas reuniões bilaterais previstas entre os presidentes da China e dos Estados Unidos entre 31 de março e 2 de abril, em Pequim, apesar de dificuldades recentes nas negociações comerciais.
Para o Brasil, cuja safra de soja supera 180 milhões de toneladas, o efeito imediato sobre a oferta já colhida é limitado. Nos Estados Unidos, onde produtores se preparam para semear cerca de 35 milhões de hectares com soja, o aumento do custo de insumos pode pressionar margens na próxima temporada. A evolução dos preços seguirá condicionada à duração do conflito, à normalização do tráfego no Estreito de Ormuz e à definição do cenário político no Irã. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.