03/Mar/2026
A escalada do conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã amplia o risco de inviabilização da compra adicional de 8 milhões de toneladas de soja norte-americana pela China e pode comprometer a realização da cúpula prevista entre Donald Trump e Xi Jinping no início de abril. Sem a confirmação desse volume, o mercado pode perder o principal fator de sustentação das cotações na Bolsa de Chicago, com projeção de recuo para a faixa de US$ 10,00 a US$ 10,25 por bushel.
A avaliação é de que o ambiente geopolítico cria constrangimento político para Pequim ampliar aquisições de soja dos Estados Unidos neste momento, o que reduz a probabilidade de concretização do volume adicional estimado em 8 milhões de toneladas. Esse montante vinha sendo considerado determinante para manter as cotações acima de US$ 11,50 por bushel. Na ausência dessa demanda e diante de balanços globais de oleaginosas em níveis recordes, o viés passa a ser de ajuste negativo nas cotações em Chicago.
No campo da oferta, o cenário é de ampla disponibilidade. A safra brasileira é projetada acima de 180 milhões de toneladas após seis semanas de levantamentos em campo. A soja brasileira apresenta desconto entre US$ 1,05 e US$ 1,15 por bushel em relação aos preços praticados no Golfo dos Estados Unidos, mantendo os compradores chineses concentrados na oferta sul-americana. A Argentina também avança com maior competitividade nos contratos futuros.
O monitoramento do fluxo global de navios indica retração de 1,3 milhão de toneladas no comércio internacional de soja até 26 de fevereiro, enquanto o trigo acumula avanço de 12,1 milhões de toneladas e o milho registra aumento de 5,2 milhões de toneladas. Os estoques globais de farelo e equivalentes devem alcançar entre 167 milhões e 169 milhões de toneladas, em nível recorde. Caso os Estados Unidos confirmem nova safra recorde com expansão de área no verão do Hemisfério Norte, esses volumes poderão se elevar ainda mais.
Na China, a rentabilidade da suinocultura segue pressionada, com preços no mercado de Dalian renovando mínimas recentes e aumento no ritmo de abates, reduzindo a necessidade imediata de volumes adicionais de soja. Paralelamente, a oferta física global é superior à observada há 30 dias, com revisões positivas tanto para a produção argentina de milho quanto para a brasileira de soja. Margens negativas ao longo da cadeia limitam o dinamismo do comércio global da oleaginosa.
Nos Estados Unidos, a demanda doméstica cresce com a expansão do esmagamento direcionado aos biocombustíveis, mas o setor se aproxima do pico de utilização, estimado em 2,7 bilhões de bushels por ano. O perfil de consumo norte-americano torna-se progressivamente mais doméstico, o que amplia a relevância das exportações para a China na formação de preços. Nesse contexto, o volume adicional de 8 milhões de toneladas assume papel central na definição das cotações nas próximas seis a sete semanas. A estratégia recomendada é de aproveitamento de repiques para realização gradual de hedge, inclusive contemplando a safra 2027, na ausência de problemas climáticos relevantes. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.