03/Mar/2026
O ataque de Estados Unidos e Israel ao Irã no fim de semana, com retaliações iranianas e o anúncio de fechamento do Estreito de Ormuz, deve provocar forte reação nos mercados de energia e desencadear compras generalizadas em commodities agrícolas. O choque geopolítico recoloca o petróleo no centro da formação de preços e ajuda a explicar a movimentação recente em soja, milho e trigo. O petróleo WTI chegou a subir mais de US$ 8,00 por barril na abertura eletrônica, após ter encerrado sexta-feira (27/02) em torno de US$ 67,00 por barril. Nesta segunda-feira (02/03), o avanço era de cerca de US$ 4,40 por barril, com o contrato negociado próximo de US$ 71,00 por barril, alta de 7% a 8%. O movimento reflete o anúncio iraniano de fechamento do Estreito de Ormuz, rota por onde passam cerca de 20% do comércio global de petróleo por via marítima.
Embora o Irã responda por aproximadamente 5% da produção mundial, a preocupação central é logística. É o fluxo pelo estreito que assusta o mercado. O petróleo segue como "o rei das commodities", com capacidade de irradiar volatilidade para outros mercados. Ouro e prata avançaram cerca de 3%, bolsas operaram em queda moderada e o dólar norte-americano se fortaleceu. Nos grãos, o trigo liderou as altas na sexta-feira (27/02), impulsionado pela cobertura de posições vendidas pelos fundos e por preocupações climáticas nas planícies do sul dos Estados Unidos. Milho e soja também subiram. Segundo dados da Comissão de Negociação de Futuros de Commodities (CFTC) referentes à semana encerrada em 24 de fevereiro, os grandes gestores foram compradores líquidos de 29 mil contratos de milho, 12 mil de soja e 52 mil de trigo SRW.
A posição vendida líquida em trigo recuou para 18 mil contratos, menor nível desde outubro de 2022. Estimativas de grupos privados indicam que, até a sexta-feira (27/02), os fundos já carregavam posição comprada de cerca de 180 mil contratos de soja e 25 mil de milho. O fluxo especulativo costuma criar oportunidades de comercialização para produtores. O conflito adicionou incerteza à agenda diplomática entre Estados Unidos e China. A China condenou publicamente o ataque e importa cerca de 14% de seu petróleo do Irã, sendo o principal destino das exportações iranianas. Ainda assim, a cúpula entre Donald Trump e Xi Jinping, prevista para as próximas semanas, deve ocorrer, ainda que com menor probabilidade de avanços expressivos. O mercado não demonstra preocupação imediata com eventual interrupção das compras chinesas de soja norte-americana. No mercado de insumos, surgiram relatos de que varejistas de fertilizantes retiraram ofertas após o ataque, aguardando definições sobre possíveis impactos no fluxo global de nutrientes.
O tema já vinha sendo debatido na semana passada, diante do risco de escalada na região. Nos Estados Unidos, o debate sobre área plantada nos Estados Unidos permanece aberto. O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) projeta cerca de 38 milhões de hectares de milho e aproximadamente 34,4 milhões de hectares de soja para 2026. Apesar de o milho apresentar vantagem relativa de rentabilidade por hectare, tanto milho quanto soja ainda indicam margens negativas nas projeções oficiais. As exportações norte-americanas de milho seguem firmes, com embarques acumulados 30% acima do mesmo período do ano passado. O movimento atual ainda pode ser classificado como reação inicial ao choque geopolítico. Pode ser um evento de um dia só ou algo maior. É preciso estar preparado para tudo. A sustentação do rali dependerá da evolução do conflito e da continuidade das compras pelos fundos. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.