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02/Mar/2026

Preços da soja pressionados no mercado interno

Os preços da soja estão pressionados, o que levou a média de fevereiro ao menor patamar desde 2024, em termos reais. A pressão vem principalmente da desvalorização do dólar frente ao Real, que reduz a paridade de exportação e diminui a competitividade da soja brasileira diante da norte-americana. Além disso, as expectativas de oferta volumosa no Brasil reforçam o movimento de retração dos valores. Apesar das adversidades climáticas em importantes regiões produtoras, agentes seguem otimistas quanto ao volume final da safra. A perda de potencial produtivo em parte das lavouras das Regiões Sul e Sudeste tende a ser compensada pelo bom desempenho das demais regiões produtoras, limitando impactos relevantes sobre a produção total.

Segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), 32,3% da área nacional de soja havia sido colhida até 21 de fevereiro, com avanço mais intenso das atividades em Goiás e Tocantins. Nos últimos sete dias, o Indicador da soja Paranaguá ESALQ/BM&F, referente ao grão depositado no corredor de exportação e negociado na modalidade spot (pronta entrega), no Porto de Paranaguá, apresenta recuo de 1,8%, cotado a R$ 126,77 por saca de 60 Kg. Em fevereiro, a média mensal foi R$ 126,30 por saca de 60 Kg, com queda de 3,6% ante janeiro e a menor, em termos reais, desde fevereiro/2024 (IGP-DI, base janeiro/2026). A média ponderada da soja no Paraná, refletida no Indicador CEPEA/ESALQ registra queda de 0,8% nos últimos sete dias, a R$ 120,32 por saca de 60 Kg.

Em fevereiro, a média mensal foi de R$ 120,06 por saca de 60 Kg, com queda de 4% ante janeiro e a menor, em termos reais, desde fevereiro/2024 (IGP-DI, base janeiro/2026). Em fevereiro, a média do dólar foi de R$ 5,20, 2,4% inferior à de janeiro e a mais baixa desde maio/2024. A demanda por óleo de soja segue enfraquecida no mercado brasileiro, o que pressiona os prêmios de exportação. Ainda assim, os preços nacionais estão reagindo, influenciados pela valorização externa e pela expectativa de maior demanda do setor de biodiesel a partir do próximo mês. Segundo a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), mesmo diante da desaceleração na produção de biodiesel no início deste ano, observa-se crescimento em comparação com o mesmo período do ano passado (janeiro/2025 a janeiro/2026).

Nesse contexto, o preço do óleo de soja (posto em São Paulo com 12% de ICMS) registra avanço de 0,6% nos últimos sete dias, cotado a R$ 6.437,27 por tonelada. Em fevereiro, o valor médio foi de R$ 6.466,71 por tonelada, o menor desde junho/2025, em termos reais, ficando 0,9% abaixo de janeiro e 0,8% inferior ao observado há um ano. As negociações envolvendo farelo de soja também estão mais enfraquecidas, refletindo a baixa demanda no mercado spot nacional. O poder de compra dos compradores recuou pelo quarto mês consecutivo em fevereiro. Assim, o preço do farelo apresenta baixa de 1,9% nos últimos sete dias. Em fevereiro, os valores médios ficaram praticamente estáveis frente aos de janeiro (-0,1%), mas 2,5% abaixo dos registrados há um ano, em termos reais.

Na Bolsa de Chicago, os contratos futuros da soja e derivados estão em alta. A valorização do grão reflete o avanço verificado para os derivados e as expectativas de maior demanda das indústrias esmagadoras nos Estados Unidos. Assim, o contrato Março/2026 da soja em grão tem avanço de 0,6% nos últimos sete dias. A média do mês de fevereiro ficou 6,5% acima da de janeiro e 7,8% superior à de fevereiro/2025. O óleo de soja foi sustentado pela expectativa de aumento da demanda do setor de biodiesel nos Estados Unidos, diante da possibilidade de aprovação de nova proposta de elevação da mistura obrigatória ao diesel. Como o óleo de soja é a principal matéria-prima do biodiesel, esse cenário dá suporte adicional às cotações.

Além disso, as recentes tensões no Oriente Médio geram incertezas no mercado de petróleo, reforçando o movimento de alta. Assim, o contrato de primeiro vencimento do óleo de soja registra valorização de 2,7% nos últimos sete dias. Em fevereiro, a média atingiu US$ 1.268,15 por tonelada, avanços de 11,1% frente à do mês anterior e de 25,9% na comparação anual e a maior desde setembro/2023. O farelo de soja tem suporte na firme demanda global e na entrada mais lenta da safra sul-americana, fatores que podem favorecer as exportações norte-americanas. O contrato de primeiro vencimento apresenta alta de 4,2% nos últimos sete dias. A média de fevereiro foi de US$ 350,09 por tonelada, 3,6% acima da do mês anterior e 2,4% superior à registrada há um ano.

Com base nos preços futuros da soja, do farelo e do óleo negociados na Bolsa de Chicago, a crush margin é de US$ 108,08 por tonelada, o maior valor desde 2 de agosto de 2024. A valorização dos futuros também eleva o preço FOB do complexo soja no Brasil. Com base no Porto de Paranaguá (PR), a crush margin está nos maiores patamares para embarques em abril (US$ 61,33 por tonelada) e maio/2026 (US$ 50,83 por tonelada). No mercado spot nacional, considerando-se os preços da região de São Paulo, a crush margin recuou de R$ 635,38 por tonelada no dia 19 de fevereiro para R$ 607,50 por tonelada agora. Ainda assim, na comparação entre as médias de janeiro e de fevereiro, observa-se avanço, de 14,2%. Fonte: Cepea. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.