27/Feb/2026
Segundo a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT), o excesso de chuvas nas últimas semanas compromete a reta final da colheita da soja em Mato Grosso, amplia perdas por qualidade e cria entraves logísticos que pressionam a rentabilidade do produtor. Segundo o Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea), a colheita da safra 2025/2026 já ultrapassa 65% da área plantada, mas o ritmo perdeu força recentemente com as precipitações frequentes. A produção está estimada em 50,52 milhões de toneladas no Estado, 0,74% abaixo da temporada anterior. A safra foi marcada por déficit hídrico entre setembro e outubro, que retardou o plantio em diversas regiões e gerou preocupação inicial com o desenvolvimento das lavouras. Na sequência, as condições climáticas favoreceram o enchimento de grãos e sustentaram expectativa positiva para o ciclo. Agora, na fase final, o cenário se inverteu. Até 6 de fevereiro, 39,61% da área havia sido colhida.
Desde então, o percentual avançou, mas sob chuvas persistentes que elevaram a umidade do grão e os índices de avarias nos talhões remanescentes. São mais de 30 dias de precipitações intensas em diversas regiões. A colheita segue em ritmo lento, e o setor acompanha o cenário com grande preocupação. As chuvas estão castigando o produtor mato-grossense. No extremo norte do Estado, a colheita está em estágios distintos entre propriedades. Há produtores que colheram 100% da sua área, outros 70% e alguns que só agora estão chegando em torno de 50%, porém todos eles nos relataram que tiveram perdas por avarias e alta umidade do grão, devido às fortes chuvas nos últimos 20 dias. Levantamento realizado em parceria com o Imea e a Secretaria Municipal de Agricultura de Marcelândia aponta prejuízos que podem chegar a aproximadamente R$ 1.800,00 por hectare, considerando perdas por grãos avariados e descontos por umidade elevada.
Na região sul, onde fevereiro registra acumulados superiores a 500 milímetros em várias localidades, há registros de soja brotando nas vagens e grãos úmidos sendo entregues aos armazéns. Tudo isso gera uma série de descontos e prejuízos para o produtor. Nas áreas mais afetadas, as perdas já alcançam 25%, sobretudo nos últimos talhões. Além das perdas na lavoura, a logística se tornou um dos principais entraves. Estradas rurais sem pavimentação apresentam atoleiros, interrupções no tráfego e formação de filas. Há caminhões com mais de três dias em filas esperando passar por algum atoleiro, isso com grão úmido e já avariado dentro da carga, comprometendo ainda mais a qualidade da entrega, na região oeste, mesmo quando há abertura de sol para colher, o transporte até os armazéns é dificultado. Cada dia que passa, os descontos vão aumentando, a soja vai estragando. Municípios como Feliz Natal, Matupá e Marcelândia decretaram situação de emergência para viabilizar ações nas estradas e pontes afetadas pelas chuvas.
A prioridade neste momento é garantir a retirada da soja do campo e reduzir os impactos financeiros. O atraso na colheita já afeta a 2ª safra de milho de 2026. Parte do plantio do milho ocorre fora da janela considerada ideal, que se encerra em meados de fevereiro. A preocupação maior do agricultor é a soja. Há ainda risco de pagamento de cláusulas de washout, em casos de descumprimento de contratos firmados. O prolongamento das chuvas intensifica a pressão sobre um setor que já enfrenta custos elevados e restrições de crédito. Enquanto acompanham as previsões climáticas, os produtores tentam aproveitar janelas de tempo firme para concluir a colheita de uma safra que, até a reta final, mantinha expectativa positiva, mas agora enfrenta perdas associadas ao excesso de umidade e às dificuldades de escoamento. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.