26/Feb/2026
As diferenças na estrutura de custos entre Brasil e Estados Unidos ajudam a explicar os motivos pelos quais a produção brasileira de soja tem apresentado rentabilidade mais estável do que a norte-americana nos últimos anos. Com base em estudo da Universidade de Illinois, os dois países operam com modelos fundamentalmente diferentes. No Brasil, os custos são majoritariamente diretos, concentrados em fertilizantes, sementes, defensivos, seguro e financiamento. Nos Estados Unidos, o peso maior recai sobre despesas fixas, especialmente o valor da terra. Nos Estados Unidos, o custo da terra é drasticamente mais alto do que no Brasil. Esse é provavelmente o principal motivo pelo qual os produtores brasileiros têm tido mais rentabilidade. Entre 2020 e 2024, os custos de produção da soja no Brasil praticamente dobraram, pressionados pela disparada dos fertilizantes e pela desvalorização cambial.
No mesmo período, os custos nos Estados Unidos subiram apenas 13%. Ainda assim, os produtores brasileiros mantiveram margens positivas ao longo do ciclo, apoiados por preços internacionais elevados e forte demanda de exportação. Já os agricultores americanos enfrentaram maior volatilidade, registrando perdas em 2020 e novamente em 2024. Comparando uma fazenda média em Mato Grosso com uma propriedade típica em Iowa: no caso brasileiro, os custos diretos respondem pela maior parcela do total. Nos Estados Unidos, despesas como arrendamento, depreciação de construções, juros, impostos e seguros têm participação mais elevada. O agricultor dos Estados Unidos é pressionado pelo custo fixo, especialmente a terra. Parte dos altos valores de arrendamento nos Estados Unidos é sustentada por produtores que já têm áreas quitadas ou por investidores institucionais que enxergam a terra como ativo de preservação de capital.
Não é necessariamente pela renda do arrendamento. Muitos acreditam na valorização média anual e veem a terra como um lugar seguro para manter dinheiro. Apesar da vantagem estrutural brasileira, os produtores norte-americanos defendem que a qualidade da soja dos Estados Unidos é superior. O custo da terra segue como fator determinante na competitividade relativa entre os dois países. No mercado futuro, os preços refletem um cenário distinto do que sugere o quadro de oferta global. O contrato maio da soja ganhou US$ 0,06 por bushel na terça-feira (24/02), encerrando perto de US$ 11,55 por bushel. Nesta quarta-feira (25/08), a recuperação persistia, em meio ao alívio nas preocupações de que mudanças na política tarifária dos Estados Unidos pudessem comprometer vendas à China. O encontro entre o presidente Donald Trump e o presidente chinês, Xi Jinping, segue previsto para o fim de março ou início de abril
O desempenho recente indica um mercado excepcionalmente forte. O vencimento maio renovou máximas de vários meses durante a madrugada, atingindo o nível mais alto desde novembro e ficando a menos de US$ 0,20 por bushel do pico registrado naquele mês. Três fatores explicam a firmeza. O primeiro é a baixa retenção de soja da safra velha pelos produtores norte-americanos. O segundo é a expectativa de definições positivas sobre as obrigações de volume renovável (RVO) nas próximas semanas. O terceiro é a perspectiva de novas compras chinesas: circularam rumores de negócios pelo Noroeste do Pacífico, embora sem confirmação oficial. O contrato de soja da CME tem entrega concentrada no Meio Oeste dos Estados Unidos. Enquanto os futuros avançaram na Bolsa de Chicago, a base no Brasil se deteriorou com a chegada de uma safra volumosa, refletindo oferta mais apertada nos Estados Unidos e abundância de produto no mercado brasileiro. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.