ANÁLISES

AGRO


SOJA


MILHO


ARROZ


ALGODÃO


TRIGO


FEIJÃO


CANA


CAFÉ


CARNES


FLV


INSUMOS

25/Feb/2026

Queda de tarifas enfraquece os EUA ante a China

Segundo a AgResource, a derrubada pelo Supremo Tribunal dos Estados Unidos da Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA), principal instrumento tarifário do presidente norte-americano, Donald Trump, deve reduzir o risco geopolítico nos mercados de commodities nas próximas semanas e fortalecer a posição negociadora da China. Sem o IEEPA, Trump perde a capacidade de impor tarifas de forma imediata e ampla. Os mecanismos alternativos disponíveis, como as Seções 201, 301, 211 e 338, exigem investigações prévias e têm escopo mais restrito. Trump não tem mais como chegar para a China e para outros países e ameaçar com tarifas de qualquer tamanho e substância. Isso leva muito mais tempo e legitimidade para construir um acordo comercial. O quadro favorece a China nas negociações. Com a cúpula entre Trump e o presidente chinês, Xi Jinping, prevista para início de abril, o mercado deverá aguardar esse encontro antes de tomar posições mais definidas. Será um período prolongado de negociação comercial entre Estados Unidos e China.

Não será tão imediato quanto o visto em outubro ou com as terras raras no mês passado. No curto prazo, a questão central é o retorno da China ao mercado após o feriado. A AgResource monitora se a China voltará a comprar soja norte-americana, com estimativa de que até 8 milhões de toneladas ainda poderiam ser direcionadas aos Estados Unidos. Se a China não aparecer até o fim desta semana ou o início da próxima, o mercado provavelmente vai recuar e aguardar as negociações de abril. Do lado da oferta, o Brasil acelera os embarques de soja com premissas favoráveis. Os compromissos de exportação brasileiros avançam em ritmo elevado, com a soja do País cotada entre US$ 1,10 e US$ 1,20 por bushel abaixo da norte-americana nas últimas semanas, o que estimula a comercialização pelos produtores. A AgResource estima a safra brasileira acima de 182 milhões de toneladas. O Brasil está fazendo o que precisa fazer para escoar essa safra enorme. A fila de navios aguardando carregamento de soja nos portos norte-americanos já soma cerca de 260 embarcações, com 15,4 milhões de toneladas, ritmo próximo ao registrado em 2022.

Apesar disso, o número de navios norte-americanos em espera vem caindo semanalmente desde 19 de fevereiro, enquanto os embarques brasileiros ganham velocidade. Se a China não comprar as 8 milhões de toneladas dos Estados Unidos, será preciso revisar para baixo a estimativa de exportação norte-americana. No mercado de farelo de soja, as margens de esmagamento próximas de US$ 2,00 por bushel nos Estados Unidos são consideradas historicamente elevadas e dificilmente sustentáveis. A Argentina já oferece farelo a US$ 0,10 por bushel abaixo do mercado futuro norte-americano e abaixo do Golfo para os contratos de abril e maio, eliminando espaço para demanda adicional de farelo de origem norte-americana. A decisão sobre a obrigação de volume renovável (RVO) é outro fator aguardado pelo mercado. A documentação ainda não chegou à Casa Branca pela agência ambiental EPA, mas a AgResource projeta algo entre 5,2 e 5,6 bilhões de galões de óleo de soja. Porém, parte do volume será direcionada a outras oleaginosas e que haverá concessões também para refinadores e misturadores, moderando o impacto líquido para o produtor norte-americano.

No clima, já se identifica uma mudança de padrão nos Estados Unidos nas próximas semanas. O bloqueio atmosférico atual, que mantém as Planícies secas, deve dar lugar a um padrão mais ativo em cerca de 12 dias, com entrada de umidade pelo sul, abertura do Golfo e temperaturas mais amenas. As Planícies estão se movendo para um padrão climático mais ativo, com a precipitação necessária antes do início da temporada de crescimento. Mesmo com o volume de movimentações recentes no mercado de milho, os gráficos mensais mostram pouca evolução. O mercado de milho fez muito pouco, como tem feito nos últimos dois anos. Faz sentido transferir esse risco para outros. Há possibilidade de um El Niño neste verão no Hemisfério Norte, que em balanço tende a trazer temperaturas amenas e precipitação insuficiente nos Estados Unidos. O mercado está procurando o próximo problema de oferta global, mas ainda não conseguiu identificá-lo. É um quadro de status quo. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.