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24/Feb/2026

China deve manter compras de soja norte-americana

A decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos que derrubou as tarifas globais impostas pelo presidente norte-americano, Donald Trump, não altera, por ora, a leitura predominante no mercado de que a China deve manter as compras de soja norte-americana. A decisão, tomada por 6 votos a 3 na sexta-feira (20/02), considerou que Trump excedeu sua autoridade ao utilizar a Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA) para impor tarifas globais. Em resposta, o governo norte-americano anunciou uma tarifa global de 15% com base na Seção 122 da Lei de Comércio de 1974, que pode permanecer em vigor por até 150 dias sem aprovação do Congresso.

Trump sinalizou que, após esse prazo, poderá recorrer a outros instrumentos legais para manter as tarifas. O mercado já antecipava a possibilidade de uma decisão contrária da Suprema Corte e entendia que Trump teria alternativas para preservar sua política tarifária. Era muito possível que a Suprema Corte fosse derrubar as tarifas. Mas, também era inevitável que Trump fosse usar outros poderes para manter as tarifas. Os futuros de soja chegaram a cair entre US$ 0,19 e US$ 0,20 por bushel após o anúncio, mas recuperaram as perdas ainda na sexta-feira (20/02), permanecendo dentro da faixa de negociação anterior à decisão.

A China tem interesse em manter status favorável com os Estados Unidos e não deve interromper as aquisições de soja norte-americana em função do episódio. A China quer chips norte-americanos e acesso ao mercado consumidor dos Estados Unidos. Segundo análise do Financial Times, os maiores beneficiados pela tarifa de 15% são justamente China e Brasil. A China terá redução de 7,1% na alíquota média, enquanto o Brasil verá queda de 13,6%. Donald Trump planeja visitar a China em abril e o comércio de soja deve integrar a pauta das negociações. No início do mês, a China havia sinalizado possível elevação das compras desta temporada para 20 milhões de toneladas.

Até 12 de fevereiro, a China havia adquirido 10,6 milhões de toneladas de soja norte-americana no atual ano comercial, respondendo por cerca de 30% do total vendido pelos Estados Unidos, estimado em pouco mais de 30 milhões de toneladas. Do volume chinês, 45% ainda não havia sido embarcado. No acumulado da temporada, as vendas totais de soja dos Estados Unidos seguem no segundo pior nível dos últimos dez anos. Do lado dos fundos, o relatório da Comissão de Negociação de Futuros de Commodities (CFTC) referente à semana encerrada em 17 de fevereiro mostrou que os grandes gestores foram compradores líquidos de 43 mil contratos de soja. A posição líquida comprada chegou a 159 mil contratos, o maior nível desde o início de dezembro. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.