23/Feb/2026
Segundo a Céleres, o preço médio da soja no mercado interno brasileiro caiu de R$ 117,00 por saca de 60 Kg em dezembro/2025 para R$ 104,00 por saca de 60 Kg em fevereiro/2026, recuo de 11,1% em três meses, e a margem operacional do produtor encolheu entre 30% e 40% no mesmo período. Com a comercialização da safra 2025/2026 em apenas 41% do volume total, abaixo da média histórica de 49,6% para o período, o produtor médio brasileiro já cobriu pouco mais da metade dos custos operacionais do ciclo. A estratégia de segurar o grão aguardando alta no preço se mostrou equivocada no curto prazo. A decisão de não vender e aguardar momentos mais remuneradores resultou em perda de margem relevante, sem sinal de recuperação à vista no cenário imediato.
A combinação de dólar em queda, oferta elevada no mercado interno e externo e demanda enfraquecida mantém as cotações sob pressão em praticamente todas as regiões produtoras. A margem operacional da soja, medida como percentual da receita líquida, recuou de 31% para 22% no Brasil e de 22% para 13% em Mato Grosso entre dezembro e fevereiro. O nível de cobertura do custo operacional varia conforme o perfil do produtor. Os grandes grupos com maior capacidade de gestão financeira, como SLC Agrícola e BrasilAgro, já realizaram entre 70% e 80% do custeio. O produtor médio brasileiro cobre 51% do custo em aberto, e em Mato Grosso esse índice sobe levemente para 57%, ainda deixando quase metade das despesas sem respaldo nas vendas realizadas. No balanço global, os estoques mundiais de soja permanecem em nível historicamente elevado após uma safra cheia no Brasil, e a relação estoque/consumo segue confortável, o que limita qualquer alta de preço mais consistente.
Os estoques altos de soja derrubam preços e reduzem a margem do produtor, enquanto o milho sustenta melhor rentabilidade. O atraso da colheita, provocado pelo excesso de chuvas, amplifica o problema. Com 23% da safra colhida, o ritmo está abaixo da média histórica de 26% a 28% para o período. O atraso eleva os custos logísticos, pressiona o basis e empurra o início do plantio do milho 2ª safra de 2026 para datas mais tardias, reduzindo o potencial produtivo. Na comparação regional dos preços de janeiro a fevereiro, a queda foi disseminada, com destaque negativo para o Cerrado. A Região Sul e o Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia) registraram variações menos desfavoráveis, mas a soja seguiu em recuo nas duas regiões. O movimento é atribuído à confirmação das boas produtividades da safra atual, que afastou qualquer prêmio de escassez das cotações. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.