23/Feb/2026
A Martinson Ag Risk Management avalia que a decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos de derrubar as tarifas impostas por Donald Trump com base em lei de emergência não apenas desmonta o principal instrumento de pressão comercial do governo norte-americano como pode abrir espaço para um acordo mais amplo com a China e para a retirada da sobretaxa de 10% que o governo chinês mantém sobre a soja norte-americana desde o início da guerra tarifária. A decisão judicial não encerra o tema. O governo Trump deve buscar outro caminho legal para reimpor as tarifas, e há dúvidas sobre se os acordos comerciais já firmados serão honrados e se os valores arrecadados precisarão ser devolvidos. Há muito mais perguntas do que respostas agora. Ainda assim, o desfecho é positivo para o comércio global no médio prazo. O ponto de maior interesse para o mercado de soja é o reflexo sobre as negociações entre Estados Unidos e China.
Um acordo de compras chinesas está mais próximo depois que os Estados Unidos recuaram num acordo de venda de armas para Taiwan, movimento que interpreta como concessão feita a pedido da China. É provável que vejamos mais anúncios de vendas de soja quando Xi e Trump se reunirem em abril. O Fórum Agrícola do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) não provocou movimentos relevantes nas cotações porque as projeções de área para 2026 vieram próximas do que o mercado já esperava. O quadro ainda não está fechado. A área de trigo pode sofrer novo corte e a soja ganhar espaço adicional, algo que só será confirmado com o relatório de intenção de plantio do fim de março. No lado dos estoques, a leitura é de estabilidade estrutural, salvo mudança relevante na demanda. No ritmo atual, os estoques não vão mudar muito em 2026, a menos que surjam novas fontes de demanda, como a soja extra que está sendo prometida à China.
Em síntese, o Fórum confirmou oferta maior para 2026/2027, mas deixou claro que o vetor decisivo para preços seguirá sendo o comportamento das exportações, especialmente para o mercado chinês. O mercado de trigo foi destaque positivo na semana, impulsionado pela escalada de tensões entre Estados Unidos e Irã. Fundos que carregavam posições vendidas expressivas no cereal começaram a liquidá-las diante do risco de instabilidade nos fluxos de exportação pelo Oriente Médio, maior região importadora mundial de trigo. Condições climáticas adversas nas planícies do sul dos Estados Unidos e na Ucrânia reforçaram o movimento. Para esta semana, há três variáveis a acompanhar: a definição dos preços-base do seguro agrícola norte-americano para a safra 2026, o retorno da China ao mercado após o feriado do Ano Novo Lunar, esperado para o início de março, e o desdobramento jurídico das tarifas. Isso vai moldar o mercado nessa última semana de fevereiro. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.